O domingo, 2 de dezembro, será inesquecível para a nação corintiana e parte da nação venezuelana. Para a primeira, a tragédia foi o rebaixamento do Corinthians para a disputa do Campeonato Brasileiro da Série B em 2008, o que causou uma imensa comoção, principalmente em São Paulo, onde se concentra a maior parte da torcida corintiana.
O rebaixamento do time reflete os problemas administrativos que o clube paulista vem enfrentando desde que assinou um contrato de parceria com a MSI, envolvida com denúncias de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, entre outras acusações.
Depois que ganhou o Campeonato Brasileiro da Série A em 2005, o Corinthians que contava com jogadores como os argentinos Tevez e Mascherano, e as estrelas Carlos Alberto e Roger, passou por um desmonte e os escândalos se sucederam numa rapidez impressionante, culminando com a renúncia de presidente Alberto Dualib, que ficou no cargo durante 14 anos.
Literalmente, o Corinthians virou um caso de polícia, e o reflexo foi o fraco rendimento do time em campo, na pior campanha do clube na história do campeonato brasileiro. Jogadores fracos e longe de representar o clube dignamente, negócios escusos com empresários, sucessivas trocas de técnicos para desespero e decepção da Fiel torcida.
A televisão mostrou o grau de desespero, frustração, dor e choro da torcida quando o time foi rebaixado, e houve quem tivesse pena dos torcedores. Alguns torcedores estavam tão chocados que entre lágrimas diziam que aquele era o pior dia das suas vidas.
Isso tudo trará prejuízos enormes e quase que irreparáveis, sem contar a gozação dos adversários que não perderão a oportunidade de tripudiar em cima do drama alheio. É esperar para ver se a torcida vai levar tudo na esportiva, e suportar as brincadeiras, ou partir para a briga e aumentar o nível de violência nos estádios brasileiros.
Outro que tem motivos de sobra para lamber as feridas e se lamentar é o coronel Hugo Chávez, aprendiz de ditador que a cada dia isola ainda mais a Venezuela, impondo um regime baseado na truculência e na soberba.
Querendo plenos poderes para se perpetuar na presidência da república, Chávez tem mudado com frequência a constituição venezuelana impondo a sua vontade. Uma das marcas do governo Chávez é a intolerância com a imprensa livre, e como contraponto o ditador tem o seu programa na televisão onde fala por horas seguidas sabe-se-lá para quem.
Os olhos do mundo civilizado têm se voltado para a Venezuela chavista e para as suas recentes aquisições de armamento de ponta e a sua implicância com as mandatários das nações que ousam contestá-lo, a exemplo do presidente George W. Bush, alvo frequente de xingamentos e impropérios.
Chávez injustamente é saudado como o líder da nova esquerda mundial, principalmente a brasileira, que vê nele uma liderança a ser seguida, mesmo que ele seja um aprendiz de incendiário em estágio avançado.
A última de Chavez foi um plebiscito para saber se a população venezuelana concordava em lhe conferir superpoderes para modificar a constituição ao seu bel prazer. Certo de que seria vitorioso, ameaçou a oposição, os Estados Unidos – como sempre, setores da igreja, da imprensa e culpou o imperialismo como a causa de todos os males do mundo.
Tentou criar fatos e cantou vitória antes da hora, e em alguns sites brasileiros ligados à esquerda foi possível ver matérias veiculando a “consagração” de Chávez. Só que as urnas mostraram o contrário e a derrota do coronel Hugo foi acachapante e humilhante.
Por algum tempo, ambos – Corinthians e Chávez, lembrarão que a realidade é diferente dos sonhos e desejos; a certeza é a de que a agonia do Corinthians só depende dele para terminar. Já o fim do reinado de Chávez fica por conta do povo venezuelano, que mandou o recado de que se depender da democracia, Chávez será varrido para a lata de lixo mais próxima.