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7/19/2007 - 12:57

Dream Act: estudantes podem ganhar legalização


Fonte: Agência BR NEWS

Karine Porcel

Senado promete voltar a debater o "Dream Act", projeto de lei que oferece uma chance de legalização aos imigrantes que chegaram ao país com menos de 15 anos e concluíram o High School. Muitos brasileiros podem ser beneficiados pela lei.



Ao imigrar para os Estados Unidos, milhares de pais enfrentam uma série de adversidades com um único propósito: garantir aos seus filhos um futuro melhor. Nessa jornada está incluído o sonho de vê-los formados e empregados naquilo que escolheram fazer.

Entretanto, os obstáculos que impedem tantos imigrantes de se legalizarem dificultam também o acesso de muitos jovens ao ensino superior. Muitos deles chegam ao país ainda criança, estudam anos e anos em escolas americanas, aprendem a falar inglês fluentemente, tomam a cultura americana como sua, mas, ao terminarem o High School, encontram as portas das universidades fechadas.

Por não terem número de Social Security, estudantes indocumentados não podem solicitar ajuda financeira do governo federal para pagar a Universidade. O alto custo das anuidades também não é acessível ao bolso da maioria dos pais imigrantes. O resultado disso é mão-de-obra desperdiçada e imobilidade social de uma classe que cresce a cada dia no país.

O Congresso americano, desde 2001, discute uma proposta que concederá o status legal aos jovens imigrantes que chegaram aos Estados Unidos crianças e completaram aqui o High School. O Dream Act, como o projeto de lei é conhecido, já foi introduzido diversas vezes no Senado e na Casa dos Representantes e fazia parte da reforma migratória que não foi aprovada no mês passado.

Por ter ganho apoio de diversos setores da sociedade que consideram uma injustiça esses estudantes não terem acesso à universidade, o Dream Act ficou famoso e agora tem grandes chances de ser aprovado. O Senado americano, apoiado pelo presidente George W. Bush, promete voltar a debater a proposta nas próximas semanas.

Se aprovado, o Dream Act vai garantir aos imigrantes que chegaram ao país com menos de 16 anos, cinco anos antes da lei entrar em vigor, e completaram o High School uma residência temporária válida por seis anos. Se durante esse período, eles completarem dois anos de College, servirem às Forças Armadas pelo mesmo período ou completarem horas significativas de serviço comunitário, receberão a residência definitiva.

Realização do sonho de muitos brasileiros

Eduardo Conforti é um dos brasileiros que mais torce pela aprovação do Dream Act. Ele chegou aos Estados Unidos com 10 anos e, aos 18, ao concluir o High School, arrumou um trabalho na construção civil, onde atua há quatro anos.

“Meus pais não podiam pagar uma universidade para mim e, para eu mesmo pagar, ficava dificil, pois as escolas aqui são durante o dia e te impedem de trabalhar. Não tive opção, a não ser trabalhar no que os meus amigos faziam”, conta.

Solange Teixeira, moradora de Union (NJ), acha justa a aprovação da lei. Ela tem um filho e um irmão que poderão ser beneficiados pelo Dream Act. Ambos chegaram ao país antes dos 16 anos e completaram o High School.

“Meu irmão ganhou bolsa de estudo para fazer o College, mas por não ter Social Security não pode aceitar. Ele era ótimo aluno. Quando chegou, teve que se virar para aprender o inglês. Ele estudava a noite toda para fazer os trabalhos, lembra.

Hoje o irmão de Solange, Henrique Azzi, tem 23 anos e trabalha para ajudar nas despesas de casa. Já o filho de Solange, Kaue Teixeira Filho, 18 anos, terminou o High School este verão. Assim como o tio, ele não vai ingressar na universidade, pelo menos este ano. No entanto, Kaue conta com um artifío a mais que Henrique. Seus pais tem um processo no Departamento de trabalho e aguardam a liberação do Social Security.

Mesmo sabendo que o ensino superior não está tão distante, Solange conta que o último ano de High School para Kaue foi frustrante. “Ele não se esforçou, apesar de ter sido sempre bom aluno. Ele falava para mim: ‘vou estudar para quê, se não vou poder ir ao College’”, conta.

Kaue gostaria de fazer um curso para consertar motor de aviões. O custo é de quase $20 mil. Solange diz que não pode pagar. “A gente se sente culpada porque fui eu quem o trouxe achando que aqui seria melhor para ele. Eu só não estou mais preocupada porque sei que os nossos papéis sairão logo e ele poderá ir ao College. Mas e meu irmão? Só se sair uma lei ele poderá estudar”, acredita.

Raíssa Franco está numa situação parecida com a de Kaue. Ela chegou aos Estados Unidos com 8 anos e hoje, aos 16, está no último ano do High School e se preparando para entrar na escola de medicina. Mas por não ter Social Security, ela não poderá estudar na escola que sempre sonhou. Seus pais não têm condições financeiras de pagar a anuidade que chega a mais de $100 mil.

“Eu fico muito triste porque vou ter que aplicar para uma escola e gostaria de estudar em outra, já que não vou ter ajuda financeira”, diz. Apesar disso, Raíssa tem consciência de que está numa situação privilegiada. “Tenho amigas que estão numa situação mais dificil do que eu e conheço bastante gente que terminou a escola e foi trabalhar”, completa.
Assim como Kaue, Raíssa também aguarda com ansiedade o Social Security dos pais sair. Mas se o Dream Act for aprovado antes disso, ela afirma: “Vai ser o meu sonho realizado”.
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