Se no lado republicano tudo caminha e indica para apontar o senador John McCain como o candidato do partido à presidência da república, no lado democrata a disputa é uma das mais acirradas da história do partido.
Encerradas as apurações dos votos da super terça, Barack Obama ganhou na Geórgia, Illinois, Delaware, Alabama, Dakota do Norte, Kansas, Connecticut, Minnesota, Idaho, Colorado e Alasca. Já a senadora Hillary Clinton teve o maior número de votos em Oklahoma, Arkansas, Tennessee, Nova York, Massachusetts, New Jersey, Missouri, Arizona e Califórnia, sendo que Nova York e Califórnia eram os mais valiosos e importantes colégios eleitorais em disputa. Ou seja, mesmo inferior em número de vitórias, Hillary Clinton é a vencedora na quantidade de delegados do partido.
As votações de ambos mostram algumas curiosidades e peculiaridades. Hispânicos e mulheres votam em Hillary Clinton, já os negros e os jovens votam em Barack Obama, detalhes que serão analisados detidamente pelas suas respectivas equipes.
Longe de deixar o Partido Democrata fragilizado, a disputa tem tudo para tornar o candidato escolhido no amplo favorito para novembro quando será disputada a eleição, pois certamente o ganhador terá o apoio do perdedor e, consequentemente, os seus votos, pois o eleitor democrata parece estar mais engajado do que o eleitor republicano.
O favoritismo ainda é da senadora Hillary Clinton, que lidera com ligeira margem as pesquisas sobre Barack Obama, que vem subindo e ganhando terreno, com seu discurso que propõe mudanças profundas na política americana, justamente o mesmo discurso com que Bill Clinton, o marido de Hillary, se elegeu anos atrás. A retirada de outros pré-candidatos polariza definitivamente a disputa entre os dois senadores, e ao parece a decisão ficará para as últimas prévias nos próximos meses, além dos três debates públicos entre os dois pré-candidatos. As derrotas em New York e na Califórnia abateram a campanha de Barack Obama, e podem frear o entusiasmo da sua equipe, mas definitivamente o resultado final ainda está longe de acontecer.
Sem dúvida que o maior vencedor da super terça é o senador John McCain que venceu por ampla vantagem os ex-governadores Mitt Romney e Mike Huckabee de Massachusetts e Arkansas, respectivamente.
O sorriso de McCain é expressivo e nem de longe lembra o pré-candidato que perdeu para George W. Bush em 2000, e ao que tudo indica será coroado o candidato do partido para novembro.
John McCain levou a melhor em New Jersey, Illinois, Connecticut, New York, Oklahoma, Delaware, Arizona, Missouri e Califórnia. O mórmom Mitt Romney ganhou em Massachusetts, Dakota do Norte, Montana, Minnesota, Colorado e Alasca. E o ex-pastor batista Mike Huckabee saiu vitorioso no Arkansas, Alabama, Geórgia, Virgínia Ocidental e Tennessee.
John McCain ainda não conquistou a ala conservadora do Partido Republicano que torce o nariz para as suas opiniões sobre imigração e redução de impostos, mostrando o quanto ainda é retrógrado e ultrapassado o debate de certos temas entre os convencionais e figurões republicanos.
Só uma tragédia pode evitar que John McCain seja o candidato republicano. Uma das constatações dos analistas é a de que as prévias em 2008 são as mais caras da história da política americana, pois mesmo com a crise recessiva que se abate sobre a economia nos Estados Unidos, não parece faltar recursos financeiros nas campanhas dos pré-candidatos. Além do espaço generoso e gratuito que a imprensa dá na cobertura diária, principalmente dos democratas, as demonstrações de civismo estão por todas as partes, o que torna as disputas de ambos os partidos mais interessante até do que as próprias campanhas presidenciais daqui a alguns meses.
Apoio de artistas, personalidades e até do poderoso New York Times são disputados e exibidos com orgulho como se fossem um valioso troféu por quem os detém. Por sinal o NYT decidiu apoiar Hillary Clinton e John McCain.
Mesmo sendo disputado num sistema confuso e demorado, a democracia americana tem dado o seu show particular, mostrando que nem sempre o mais votado leva o prêmio. Que o diga Al Gore.