A semana foi de boas notícias para quem vive nos Estados Unidos. O presidente George W. Bush transformou em lei o pacote de estímulo que poderá recuperar a economia norte-americana, e seis grandes instituições financeiras lançaram um programa com o objetivo de evitar a execução de hipotecas. Com essas medidas, cenário econômico mudará para melhor.
Depois de um longo período de crise, a economia norte-americana finalmente dá sinais de recuperação. Uma pesquisa divulgada esta semana pela regional do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) na Filadélfia aponta que o país deve escapar da recessão. A notícia renovou as esperanças de especialistas e, principalmente, da população em geral, que ficou mais otimista.
A melhor notícia foi dada na quarta-feira, 13, quando o presidente George W. Bush transformou em lei o pacote de estímulo econômico aprovado pelo Senado e (em segunda votação) pela Câmara dos Representantes. Segundo a Associated Press, o plano envolve US$168 bilhões. A iniciativa inclui devoluções de impostos para indivíduos e famílias e isenções fiscais para estimular o investimento das empresas. O objetivo é evitar que os Estados Unidos entrem em recessão. “Vivemos um período de incerteza econômica e estamos agindo novamente”, afirmou Bush. “Quero agradecer aos integrantes (do Congresso) por aprovarem uma boa legislação”.
De acordo com Bush, “esse projeto reflete nossos princípios, é robusto, favorece o crescimento, estimula o investimento empresarial e coloca dinheiro nas mãos dos consumidores americanos”. Os indivíduos receberão reembolsos de impostos, por meio de cheques, de até US$600. As famílias terão direito a abatimentos de até US$1.200, além de US$300 por criança. Estão habilitados a receber o dinheiro pessoas que receberam mais de US$75 mil no ano passado e casais cuja renda conjunta ultrapassou US$150 mil.
Pessoas que não pagam imposto de renda, mas tenham salário de ao menos US$3 mil/ano, terão direito a cheques de US$300. Pessoas que tenham baixo rendimento, entre elas aposentados pelo sistema de seguridade social e veteranos de guerra com deficiência, também poderão receber cheques de US$300.
Recessão descartada
Com essa e outras medidas, a Casa Branca anunciou que a possibilidade de recessão está descartada. Um texto assinado pelo presidente Bush enfatiza isso. "Nossa economia é estruturalmente sadia em longo prazo; estamos lidando com incertezas de curto prazo", garantiu o presidente. Estas incertezas, segundo Bush, serão enfrentadas com o pacote de ajuda econômica.
O governo dos Estados Unidos destacou que a economia norte-americana será, sim, impactada pela crise do crédito e do setor imobiliário, mas que os efeitos deste cenário serão limitados. "O crescimento deverá continuar em 2008. A maioria das previsões sugere que o ritmo se desacelerará no primeiro semestre de 2008, antes de se fortalecer no segundo semestre", diz.
O presidente do Federal Reserve de St. Louis, William Poole, também tem boas expectativas do futuro. "Acho que a melhor aposta é a de que não teremos uma recessão", disse. "A política está numa boa posição tanto no que diz respeito ao longo prazo quanto para amenizar os impactos dos distúrbios financeiros com os quais estamos lidando", disse ele.
Plano Imobiliário: alívio para inadimplentes
Seis grandes instituições financeiras lançaram na terça-feira, 12, um programa com o objetivo de evitar a execução de hipotecas, na esperança de que novos termos mais favoráveis dos empréstimos possam ajudar os inadimplentes.
Batizado de "Project Lifeline" (ou Projeto Salva-Vidas, em português), o plano conta com o apoio do Tesouro dos EUA. As instituições financeiras envolvidas irão suspender a execução de hipotecas por mais de 90 dias enquanto determinam como serão os novos termos dos empréstimos, de acordo com um comunicado.
O plano inclui seis concessores de hipotecas que respondem por cerca de metade dos empréstimos imobiliários nos EUA -Bank of America, JP Morgan, Citigroup, Countrywide Financial, Washington Mutual e Wells Fargo .
O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse que está incentivando todas as concessoras de hipotecas a aderir ao programa.
A Casa Branca elogiou a nova iniciativa, afirmando que esta é uma das várias medidas que a administração e os credores estão tomando para aliviar a crise. "Nenhum programa único vai resolver todos os problemas no mercado, mas o presidente acredita que estes esforços vão nos ajudar a superar esta dura correção em nossa economia", disse Dana Perino, porta-voz da Casa Branca.
Consultor brasileiro vê futuro com otimismo
Para o consultor financeiro brasileiro, Roger Torres, apesar de a economia em geral estar passando por um momento delicado, a crise econômica é temporária. “Os próximos meses serão com certeza muito melhores em termos financeiros. Com a chegada do novo presidente ao final de outubro, novas leis imigratórias devem aparecer, beneficiando milhares de imigrantes. Os democratas estão prometendo uma nova anistia caso sejam eleitos. O momento agora é de paciência”, enfatiza.
Torres considera que voltar correndo para o Brasil pode não ser a melhor idéia. “Pesquisa feita por uma socióloga mostrou que os brasileiros estão chegando no Brasil sem rumo e sem saberem como vão recomeçar a vida em um país que não oferece infra-estrutura social, nem econômica. A readaptação ao Brasil pode ser muito complicada”, observa.
Seu conselho aos brasileiros é simples: “permaneçam focados aqui na América, apertem os cintos e sejam otimistas, pois a América ainda é e sempre será um dos melhores países para se viver. Com certeza as coisas vão melhorar e nos próximos dois ou três anos as oportunidades para novos negócios serão muito grandes”.
Ele finaliza: “no Oriente, a palavra crise significa oportunidade, por isso, é hora de planejar suas vidas aqui na América!”