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3/27/2007 - 12:50

Educar, uma arte prazerosa e difícil


Fonte: Agência BR NEWS

Ester Chagas

Constantemente, ouço sobre as grandes dificuldades de ser mãe/pai educadores. Muitos acham que erraram, ainda que sem querer, outros choram inconsolavelmente a perda de seus filhos, em vida, para a droga, a marginalidade ou a cadeia; pais que sentem uma saudade imensa dos filhos que, de alguma forma, “deram certo”, e por isso se foram, seguiram seus caminhos, para o futuro, para o casamento, para a universidade, nem sempre perto de nós.

Em todo o caso, acertando ou não, educar é arte e ciência, e das mais difíceis e exigentes que se possa imaginar. É ciência porque exige muitos saberes da escola da vida. Exige calar e falar nos momentos certos, conhecimento e maturidade. É arte porque exige intuição. Cada filho (a) é único (a), e precisamos achar quais os canais de comunicação que dão certo com cada um(a).

Infelizmente, muitos pais ainda estão atrelados a algumas normas educacionais com as quais foram também educados, e nelas baseiam-se seus comportamentos e atitudes como educadores. Por exemplo: ainda se tomam atitudes com os filhos que são populares, mas já se sabe que não funcionam. Bater, gritar, perder a calma e a compostura, ainda são, infelizmente, uma norma para a maioria das famílias, preferindo-a ao diálogo e ao “ouvir atento”.

No entanto, ninguém pode negar a responsabilidade e o poder que nos confere o fato de ser mães e, mais que isso, educadoras, formadoras dos caráter dos filhos. Pelo menos, até certo ponto, até certa idade, eles imitam o que vêm, o que ouvem, aquilo que lhes passamos. Digo até certa idade e certo ponto porque, a partir do momento em que entra em campo o famoso “livre arbítrio”, nosso poder fica limitado. Mas, até aí, muito já fizemos, ou deixamos de fazer.

Nossa insegurança como educadores advém, com certeza, do fato de termos vivido numa época em que havia uma extrema rigidez. Em tudo isso, o que fica é a necessidade saudável de que nossos filhos e filhas possam ver-nos como pessoas confiáveis, cheias de bom senso e segurança, para que isso possa passar a eles essa certeza de que tudo vai dar certo, não importa o quão violento e instável esteja o mundo.

Enfim, educar para “não” ver o resultado (ou ver e manter-se ao longe), não é fácil. Até porque nos remete à nossa própria impotência, à angústia de levar à frente um trabalho que não se acaba jamais, a não ser pelas etapas já vencidas. Mas que é gratificante, e no qual vale a pena investir.

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