Fonte: Agência BR NEWS Jehozadak Pereira
Parece que a maioria dos brasileiros que moram nos Estados Unidos só conhece estas duas opções. Um exemplo disso é o que está acontecendo em Maine, que resolveu dar carteira de motorista aos indocumentados, bastando que levem uma carta do Social Security dizendo que o solicitante não preenche os requisitos para ter o tão sonhado número que eventualmente lhe abriria muitas portas.
A outra exigência é que o solicitante more no Estado, o que muita gente contorna com o aluguel de uma caixa postal ou apontando um endereço qualquer. Pode-se perguntar por que Maine resolveu dar carteira de motorista assim, sem mais e nem menos. A intenção é provar ao governo federal que é impossível implantar o Real ID por causa do elevado custo que será de responsabilidade dos estados.
Com a notícia, milhares de indocumentados acorreram ao Estado, bastando apresentar a tal carta e um endereço de residência ou de caixa postal para em poucos dias receber a tão sonhada carteira de motorista. Carteira que só vale para dirigir no próprio Estado do Maine, mas que em tese serve para dar ao imigrante a sensação de que ele tem um documento válido emitido por um órgão oficial. Só que na prática, a carteira de motorista não vale muito, a não ser para fazer seguro dos carros, pois se por qualquer problema o portador for parado pela polícia, será mandado à corte. Sim, o círculo é vicioso, irritante, frustrante e imoral.
Com a liberação, surgiram como sempre os espertalhões que se valem do desespero e da ingenuidade alheia para ganhar alguns milhares de dólares. As tais cartas do Social Security, que podem ser obtidas gratuitamente, estão sendo vendidas por US$ 1,5 mil, e o que é pior, falsificadas, o que significa que todas as cartas serão submetidas a um processo de veracidade e, uma vez comprovada a falsidade, quem se valeu dela terá a sua carteira de motorista cancelada e correrá o risco de ser processado criminalmente.
Há também os agenciadores que fazem caravanas de imigrantes indocumentados, cobrando caro por um serviço que custa algumas dezenas de dólares. Repete-se o que aconteceu em outros estados como Washington, Utah, Carolina do Norte, Illinois, Flórida e Georgia entre outros, que concederam carteiras de motorista aos indocumentados e, por causa de abusos e falsificações, encerraram o processo e cancelaram as carteiras de motorista.
Há sempre brasileiros envolvidos nos rolos e alguns já foram presos, como a leva que no ano passado foi ao Estado de Washington e foi parar na prisão, com vários deles sendo deportados pela Imigração.
Não será novidade nenhuma se nas próximas semanas as autoridades do Estado do Maine resolverem encerrar de uma vez por todas a concessão de licenças de motoristas batendo as portas nas caras de quem ousar se aventurar por lá. O que fazer então?
Resta-nos a esperança de que os legisladores e o governo federal se compadeçam e se apressem na aprovação da tal lei, que tarda uma eternidade e parece cada vez mais distante, desanimando milhões de pessoas que dependem de uma carteira de motorista, de documentos, de reconhecimento de que são alguém e que precisam saber que vale a pena acreditar que um dia os expedientes para se conseguir um documento qualquer não mais serão necessários.
Enquanto este dia não chega, só nos resta esperar. Mas não podemos deixar de perguntar – até quando?