Excesso de casas à venda sinaliza desaceleração no mercado
Fonte: Agência BR NEWS Da redação com agências
O grande número de casas à venda nos Estados Unidos indica que o mercado imobiliário ainda não se estabilizou e poderá, portanto, sofrer uma nova desaceleração. Segundo David Rosenberg, economista da Merrill Lynch, o mercado sinalizou uma melhora no final do ano passado. As casas à venda subiram inesperadamente 4,9% em dezembro – a maior alta desde março de 2004, levando especialistas a acreditarem que o pior havia passado e que o esfriamento do mercado imobiliário não afetaria toda economia.
Mas, contrariando as expectativas, um informe do Departamento de Comércio mostrou que a taxa que mede a quantidade de casas disponíveis para venda subiu 2,7% no quarto trimestre de 2006, um número muito acima do nível de 2% nos meses anteriores. Isso indica que ainda existe quase um milhão de casas disponíveis para venda, o que seguirá pressionando os preços por um maior período.
Jan Hatzius, analista da Goldman Sachs, avaliou ainda, que a taxa de casas disponíveis flutuou entre 1 e 2% nos últimos 50 anos. Como as taxas recentes estão maiores que esse número, há poucas perspectivas de que esse período de esfriamento termine a curto prazo.
Marcha lenta
De acordo com a Mortgage Bankers Association (MBA), as vendas de casas novas e usadas provavelmente diminuirão em 2007, ainda que os preços permaneçam sem alterações.
Em comunicado recente, a MBA afirmou que o mercado de casas se recuperará no meio ou final de 2007, mas os preços das casas só voltarão a subir significativamente no final do ano ou início de 2008. “Uma lenta recuperação deverá fazer com que os preços das residências não registrem mudanças em 2007, em relação a 2006”, entretanto, se espera que o preço médio dos imóveis cresça entre 1% e 2% em 2008.
Para este ano, a MBA espera que as vendas de casas novas caiam 8% em relação ao ano passado. A Associação estima que as vendas seguirão diminuindo até meados de 2007, e mostrará ligeira recuperação no segundo semestre do ano.
Todos esses dados são confirmados por um estudo da empresa Standard & Poor´s. De acordo com a análise, no final do ano passado, os preços das residências unifamiliares nos EUA tiveram a taxa de crescimento mais baixa em mais de uma década.
Segundo o índice composto S&P/Case-Shiller, em cerca de 20 cidades, os preços aumentaram 1,7%, o ritmo mais baixo dos últimos anos. A última vez que se chegou a esse número foi em setembro de 1996, quando os preços aumentaram apenas 1,2%.
O Federal Reserve está atento às variações do mercado, tentando reduzir o crescimento da economia, sem levar o país a uma recessão. Em trimestres recentes, os economistas chegaram a dizer que o forte retrocesso no setor imobiliário estava interferindo no resto da economia, abatendo inclusive o crescimento do Produto Interno Bruto.