As delícias do Natal podem ser um pesadelo no dia seguinte.
Em épocas de festas de fim de ano, falar de coisas como azia, gastrite, vesiculite e outros problemas que possam ter relação com a alimentação deveria ser coisa de praxe nos vários meios de comunicação.
Nesse período do ano, os excessos, tanto na ingestão de comida quanto de bebida, são freqüentes. Até aqueles mais aficionados por manter a boa forma e que prezam por uma alimentação saudável parecem pedir altas e liberam geral. No dia seguinte à orgia alimentar, dor de estômago, náusea, diarréia e por aí vai.
Dentre os problemas estomacais, a azia figura entre os mais comuns. Não é propriamente uma doença, mas sim, um conjunto de queixas que resultam do desconforto causado pelo retorno anormal do conteúdo do estômago para o esôfago. Esse desconforto acontece, pois a mucosa (tipo de tecido que reveste alguns órgãos) do esôfago não está preparada para entrar em contato com o conteúdo ácido que volta do estômago. Daí a sensação de queimação que geralmente eleva-se até o peito e pode irradiar até o pescoço e garganta.
A azia, que tem o nome técnico de pirose, é o sintoma mais característico de refluxo do suco gástrico para o esôfago. A sensação de queimação costuma surgir nas duas primeiras horas depois da refeição, especialmente quando a pessoa se deita. Pode piorar, por exemplo, quando se dobra o peito sobre a barriga e quando se deita com o estômago cheio.
A queimação pode ser tão intensa que em algumas situações pode causar a impressão de um infarto cardíaco. Pode ocorrer também um aumento da salivação, que é um reflexo natural porque a deglutição de saliva alivia a queimação, como se fosse um antiácido natural.
Além da queimação, outros sintomas podem ser náuseas, vômitos, gosto ácido na boca, até tosse e crises de asma noturna.
Cerca de 10% dos adultos sofrem de azia quase todos os dias, e de 35% a 40% apresentam ocasionalmente esse sintoma. Os alimentos que podem em geral desencadear as crises são:
- Café, chá, refrigerantes tipo cola e cafeinados - Álcool - Chocolate - Frutas cítricas - Tomate e molho de tomate - Alimentos apimentados e gordurosos - Hortelã
Para a prevenção do desconforto, algumas medidas são recomendadas:
- Elevar a cabeceira da cama a uma altura de 15 a 20 centímetros - Dormir deitado sobre o lado esquerdo costuma reduzir o refluxo - Como o refluxo surge quase sempre depois das refeições, é importante não comer exageradamente nem tomar muito líquido para evitar distensão do estômago - É importante também evitar bebida alcoólica e não deglutir líquidos muito quentes - Evitar dietas gordurosas porque a gordura retarda o esvaziamento gástrico - Quem sofre de refluxo só deve deitar-se três horas depois de uma refeição - Não fumar, porque a nicotina estimula o refluxo Em geral, o tratamento é clínico, com medidas educativas associadas aos medicamentos.
Fonte: Terra Magazine – artigo de autoria de Maria Falcão (médica e mestre em jornalismo científico pela universidade de Londres)