Fonte: Agência BR NEWS Helen Sinzker
Enquanto o presidente George W. Bush viajava pela América Latina pregando o livre comércio entre as Américas, os trabalhadores imigrantes latino-americanos viveram o terror da perseguição do Immigration and Customs Enforcement (ICE) nas terras do Tio Sam. A prisão em massa na fábrica Michael Bianco Inc., em New Bedford, Massachusetts, no dia 6 de março, chamou a atenção de todo o país ao prender 361 trabalhadores, a maioria mulheres, deixando crianças abandonadas.
Uma equipe de advogados do Boston Legal Service conseguiu até agora a liberdade monitorada para cerca de 60 mães. A guatemalteca Marta foi uma das trabalhadoras liberadas. Depois de dois dias na prisão, Marta só teve tempo de correr com a filha de dois anos para o hospital. A menina ficou internada por quatro dias. “Minha filha realmente estava doente. Fiquei com medo de perdê-la”, disse a mãe emocionada durante um evento em apoio às vítimas de New Bedford, na Trinity Church, Boston.
A maioria dos funcionários da fábrica eram imigrantes da Guatemala, um dos últimos países visitados por Bush na sua viagem que terminou no dia 14, quarta-feira. E se os esforços das organizações pró-imigrantes nos Estados Unidos continuam para amenizar a tragédia de New Bedford e agilizar uma reforma nas leis ultrapassadas de imigração, a agenda de Bush na América Latina nem incluiu o debate sobre o sistema migratório, ainda que em todas as suas paradas o presidente tenha defendido que o livre comércio com os Estados Unidos trará prosperidade e atenuará a pobreza dos países da América Latina.
Mas a exploração da mão-de-obra imigrante em solo norte-americano deixa clara a contradição no discurso de Bush. Todo ano cerca de 120 mil trabalhadores estrangeiros vêm aos Estados Unidos através de um sistema de trabalho temporário falido inspirado no programa Bracero (trabalhador braçal) da 2ª Guerra Mundial em que centenas de milhares de mexicanos trabalharam em lavouras e estradas, quase sempre em condições deploráveis.
Hoje, a situação não é diferente. Os trabalhadores temporários geralmente não têm escolha já que mesmo que o salário e as condições de trabalho não sejam dignos aqui, é melhor, se é que dá para usar essa palavra, que em seus países de origem onde as multinacionais se instalam e empregam três operários ao preço de “quase um” nos Estados Unidos.
Essa situação questiona a tal democracia que o presidente Bush está falando quando prega o livre comércio com as nações amigas – Brasil, Uruguai, Colômbia, Guatemala e México – numa tentativa norte-americana de atenuar as difíceis condições de vida dos pobres nesses países. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos seguem explorando e tratando como criminosos os trabalhadores imigrantes. Viva a democracia!
Muito interessante e bem escrito o texto mas, quem é Helen Sinzker? Brasileira? Se ela é brasileira não deve ser diplomada porque escrever "A maioria ... eram ..." é simplesmente deplorável. Se ela não é brasileira, quem foi o "cérebro de frango congelado" que traduziu o texto?
Viva a língua portuguesa!
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