Falta de documentos dificulta reconhecimento de ilegais mortos
Fonte: Agência BR NEWS Da redação com agências
Uma informação divulgada por investigadores norte-americanos traz à tona as conseqüências da ilegalidade: é grande o número de imigrantes que morrem e não são identificados. A constatação preocupa autoridades e coloca os indocumentados sob a sombra do anonimato até mesmo depois do falecimento.
A dificuldade em reconhecer o corpo acontece porque muitos ilegais usam documentos falsos ou não carregam nenhuma identificação. Quando existe a suspeita de nome verdadeiro, os investigadores enfrentam outro desafio: não têm como comprovar se é realmente a pessoa, pois, na maioria dos casos, não há nenhuma impressão digital nos arquivos públicos, nenhum histórico dental e ninguém procurando uma pessoa com tais características.
Segundo investigadores, os corpos de estrangeiros sem identificação, que ficam à espera de reconhecimento, têm relação com a ilegalidade. Ainda que familiares ou amigos estejam procurando por uma pessoa desaparecida, eles temem recorrer aos órgãos do governo por temerem o serviço de imigração.
Ricardo Juarez, da organização “Mexicans Without Borders”, considera que a sombra do anonimato acompanha os indocumentados tanto na vida, quanto na morte. Por medo da deportação, eles evitam a polícia até em situações que se sentem ameaçados. E por não terem autorização para trabalhar, usam documentos falsos. Para ele, o fato de muitos não terem direito à uma despedida digna é sinal de que o sistema norte-americano é falho e não respeita os direitos da pessoa.
Investigação às escuras
Para investigar esses casos, os detetives trabalham com algumas hipóteses, a fim de checar se trata-se de morte natural, homicídio ou fatalidade sem relação com crimes de qualquer espécie. Qualquer sinal junto ao corpo pode ajudar nas investigações. Uma bandeira indicativa de um país latino levará os policiais à embaixada, a fim de que eles informem à comunidade sobre o corpo encontrado; e um simples cartão de visita poderá direcioná-los a um local onde se tentará encontrar amigos ou parentes do falecido.
O trabalhos dos investigadores não é fácil. Eles checam relatórios de pessoas desaparecidas, tentam cruzar a digital com os arquivos do governo e, às vezes, recorrem até à polícia internacional.
O desafio de desvendar o nome e origem desses corpos poderia ser minimizado se houvesse uma base de dados central de desaparecidos e mortos. Atualmente, as informações do corpo, como digitais ou histórico odontológico, são repassadas ao National Crime Information Center, mas só podem ser acessadas por parentes com autorização legal.
Alguns estados têm arquivos com registros detalhados de corpos não identificados, mas esse sistema não ajuda familiares de imigrantes que não sabem qual foi o último lugar em que a pessoa desaparecida viveu.
Embora muitos dos corpos sejam identificados após semanas ou meses, outros ficam sem reconhecimento por longos períodos, até que seja dada autorização para enterro ou cremação.