Filhos de emigrantes têm problemas de rendimento escolar no Brasi
Fonte: Agência BR NEWS Da redação com agências
Saudade e expectativas de futuro no exterior fazem com que muitas crianças e adolescentes não dêem valor aos estudos.
A diretora Marilza Trindade, da Escola Estadual Prefeito Joaquim Nascimento, de Governador Valadares, realizou uma pesquisa com filhos de emigrantes e constatou que a maioria tem dificuldades na escola. “O rendimento escolar de alunos filhos de emigrantes é inferior ao de outros alunos”, disse em entrevista ao repórter André Bianquini, do jornal mineiro Diário do Rio Doce.
Em reportagem veiculada há algumas semanas na publicação valadarense, a professora afirmou que os filhos de emigrantes tendem a ser “mais agitados, cabisbaixos, e faltam com mais frequência do que os outros”. Na opinião de Marilza, isso se deve, principalmente, à saudade dos pais. “Muitos chegam à diretoria aos prantos”, destaca.
A diretora considera que o baixo rendimento escolar tem relação com o referencial das crianças e dos jovens, pois muitos acreditam que seu futuro está fora do Brasil. Por verem seus pais – alguns sem estudos, ganhando dinheiro no exterior, muitos dos menores consideram que trilharão um caminho semelhante e não dão o merecido valor aos estudos.
Isso pode provocar, segundo a especialista, um problema que poderá afetar o futuro dessas crianças, afinal, nunca se sabe se eles também emigrarão ou terão que disputar uma vaga no concorrido mercado de trabalho brasileiro, onde quem tem estudo ganha mais.
Compensações materiais
A professora diz que os filhos de emigrantes têm características peculiares: “normalmente, andam pelo colégio com aparelhos caros como iPods, MP3 e videogames, além de sapatos e roupas de marca”.
Marilza considera que esses presentes e o conforto financeiro são dados como forma de compensar a ausência da família, mas ela acha que as perdas são maiores do que os ganhos. “Esses alunos apresentam oscilações de humor muito grandes. Existe um caso aqui na nossa escola, por exemplo, de um aluno filho de imigrante que é exemplar em termos de frequência e de notas, mas não abre a boca para dar nenhum sorriso, nunca fez isso”, conta.
O jornal informa que, para tentar amenizar o sofrimento dos alunos, Marilza faz um trabalho de orientação dos familiares para que os mesmos levem os alunos para um psicólogo. Ela sugere: “enquanto estiverem no exterior, façam uma reserva financeira para pagar um psicólogo para seus filhos, pois eles, com certeza, vão precisar. Dessa forma ele terá menos chances de apresentar problemas na escola ou em qualquer outro lugar que frequente”, orienta.
Segundo especialistas consultados por nossa reportagem, os pais que estão educando seus filhos à distância devem estar atentos aos deveres e limites. “Apesar de estarem ausentes, os pais devem acompanhar o rendimento escolar dos filhos, fazer cobranças, proibições e limitar o número de presentes ou os gastos feitos no Brasil. Só assim ele estará ajudando da formação das crianças e adolescentes”, aconselha o psicanalista Eduardo Brito.