Em 2006, mais de 1,2 milhões de pessoas entraram em processo de foreclosure por não conseguir pagar o financiamento do seu imóvel. Por que tantos proprietários estão perdendo suas casas para os credores? É possível evitar um processo como esse? Saiba mais sobre o assunto.
Em 2006, mais de 1,2 milhões de proprietários entraram em processo de “foreclosure” por não conseguirem pagar adequadamente o financiamento do seu imóvel. O número corresponde a um aumento de 42% em relação ao ano de 2005, de acordo com a RealtyTrac.com, empresa americana que recolhe dados sobre foreclosure.
Darwin Cruz, Real Estate Broker, da Trademax Realty, em Pompano Beach (FL), explica que o foreclosure é um procedimento legal que as instituições financeiras utilizam para retomar o imóvel devido à inadimplência do proprietário. “É um processo com várias etapas e a sua implementação varia de acordo com as leis de cada Estado americano”, diz. O Alabama, por exemplo, tem um dos mais rápidos processos. Um mês após o recebimento da carta de inadimplência, o foreclosure é iniciado. Em Nova York, por outro lado, o início do procedimento pode levar até 12 meses.
Apesar de a maioria dos foreclosures ser aberto pelas empresas que financiam o imóvel, Cruz informa que o processo também pode ser iniciado quando o dono da propriedade deixa de cumprir suas obrigações financeiras com outros credores. “A associação de moradores onde vive e, também, o condado pode iniciar o processo em decorrência da ausência de pagamentos do imposto predial, o tax property”.
Baseados nos números do primeiro semestre deste ano – em junho o índice de foreclosures foi 87% maior em relação ao mesmo período em 2006, segundo a RealtyTrac.com – especialistas acreditam que não será uma surpresa se o número de foreclosures atingir a casa dos dois milhões em 2007.
Por que estamos vendo tantos imóveis serem tomados pelos credores? De acordo com Cruz, a especulação imobiliária dos últimos três anos e os financiamentos de alto risco, como os de juros variáveis, impulsionaram mais recentemente as causas do elevado número de inadimplentes.
“No mercado anterior, onde a demanda era muito superior a oferta, os imóveis eram vendidos com mais rapidez e com isso era mais fácil para os proprietários saírem de situações de risco. Com este novo ciclo, os compradores diminuíram dramaticamente e, ao mesmo tempo, não estão mais dispostos a serem tão generosos na compra, buscando normalmente imóveis com excelente apresentação e algum tipo de barganha ou incentivo”, analisa.
É possível evitar um foreclosure?
Segundo Maria Evans, broker e proprietária da New Era Realty, em Danbury (CT), existe uma maneira de evitar o estrago maior que um foreclosure provoca, ou seja, a destruição completa do crédito por muitos anos. “Aconselho as pessoas a procurarem imediatamente o Banco para tentar renegociar. A outra opção é procurar um corretor experiente para realizar um “short sale”, sugere.
Evans explica que no short sale o corretor coloca a casa no mercado e cuida de todo o processo, juntamente com um advogado. As suas comissões são pagas pelo banco, que aceita receber menos do que lhe é devido. “Os bancos preferem já que provavelmente irão receber muito menos quando o imóvel já estiver em foreclosure. Além disso, o foreclosure é um péssimo negócio para os bancos que vêem diminuída a sua capacidade de empréstimo”, diz. E para o proprietário, “a vantagem é que o short sale não provoca o estrago que um foreclosure causa no crédito do indivíduo”, completa Evans.
Mas, e se o foreclosure for inevitável? Qual a melhor forma de encarar esse doloroso processo? Para Evans, nesse caso, vale um velho ditado chinês: “Se o que te preocupas tem solução, por que te preocupas? Se o que te preocupas não tem solução, por que te preocupas?”, cita. “Sei que muitas pessoas estão passando por momentos muito difíceis, mas temos que lembrar que tudo passa e também as fases difíceis passarão”.
Contudo, as previsões dela para a queda de foreclosures não são das mais otimistas, pelo menos do ponto de vista de quem vende. “A previsão é de que o boom dos foreclosures aconteça no próximo ano”, conclui.