Franquias de limpeza trazem decepção e revolta de brasileiros
Fonte: Agência BR NEWS Glênio Bongiolo
Quando Geraldo Marciano chegou nos Estados Unidos estava decidido a ter seu próprio negócio. Por isso, quando ficou sabendo da oportunidade de comprar uma franquia de limpeza de casas, não pensou duas vezes. O brasileiro pagou $10.800 dólares ($4.800 em dinheiro vivo, e o restante financiado) à empresa Coverall, em troca de treinamento e da garantia de que o negócio iria render $1.500 mensais em serviços.
Após um ano de contrato fechado e prestações do financiamento pagas em dia, a Coverall não havia arranjado nenhum serviço para Marciano. Revoltado, o imigrante procurou a ajuda de um advogado, e após alguns dias a empresa finalmente lhe ofereceu as contas prometidas. Mas as desavenças continuaram e a dificuldade de adquirir novas contas também. Ainda havia cobranças indevidas e até ameaças de deportação. Cinco anos depois, Marciano perdeu quase tudo que tinha, segundo ele, por culpa da companhia de franquias que nunca cumpriu o que ofereceu em contrato.
O caso do brasileiro não é único. Há alguns anos, um grupo de doze pessoas entrou com uma ação contra a Coverall, alegando que ela não cumpria o prometido nos contratos. O caso foi resolvido com um acordo entre ambas as partes e com a condição de que os envolvidos não falassem mais sobre o caso. Este ano, novamente, um grupo de pessoas, com o apoio do Centro do Imigrante Brasileiro (CIB), está entrando com uma ação conjunta contra duas empresas de limpeza: a Coverall, de âmbito nacional, e a Janiking, sediada em Massachusetts.
Essas empresas funcionam vendendo a oportunidade de ganho mensal, mas o que se vê na realidade é que geralmente o lucro acaba sendo muito inferior do que o prometido em contrato. Aldivar Brandão, um dos brasileiros que está processando a Coverall, pagou $14 mil por uma cota de $3 mensais. Ele conta que nunca chegou a receber $2 mil mensais nos três anos que trabalhou com a empresa.
A política dessas empresas, segundo Fausto Rocha, diretor do CIB, é tirar os clientes dos franqueados para preencher o compromisso com outras franquias. “Os trabalhadores perdem o serviço sob a alegação de que o cliente está insatisfeito, mas, depois de um tempo, descobrem que nunca houve reclamação ou pedido para mudar o prestador de serviço”, explica Rocha. “Os franqueados vão aos poucos perdendo os contratos de limpeza que pagaram. Em certos casos, o dinheiro que recebem pelo trabalho não chega ao salário mínimo”, completa.
A dificuldade com o idioma e o desconhecimento das leis americanas são os principais pontos fracos explorados por essas empresas. “Na hora de assinar o contrato, o trabalhador recebe promessas ilusórias e não há qualquer explicação sobre os limites severos impostos aos seus direitos”, destaca a advogada Shannon Liss-Riordan. “O contrato é tão injusto e desigual que iniciamos a ação com o argumento de que a Justiça deve anualar vários pontos, começando pelo o que proíbe um processo legal contra a companhia.”
Uma das cláusulas do contrato prevê que qualquer disputa legal seja resolvida através de um “mediator”, uma espécie de juíz privado. Este tipo de procedimento é extremamente caro, e caso o acusante perca a causa, é obrigado a pagar as despesas do acusado.
Os especialistas do Centro do Imigrante recomendam cautela na hora de procurar uma dessas companhias, e não assinar absolutamente nenhum documento que não tenha conhecimento do conteúdo. Caso você tenha tido problemas no passado com questões semelhantes a estas e esteja interessado em participar de uma ação conjunta contra essas companhias, entre em contato com o Centro do Imigrante eplo telefone (617) 783-8001, ramal 3, com Helen Sinzker.