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3/13/2007 - 11:58

Grito por justiça das trabalhadoras dispensa idioma


Fonte: Agência BR NEWS

Helen Sinzker

Um minuto de silêncio pelas centenas de mães trabalhadoras presas na operação da Immigration and Customs Enforcement, em New Bedford, na última semana, iniciou a cerimônia em homenagem às mulheres que lutam por justiça no trabalho e que fazem diferença social na comunidade. O evento promovido pelo Women United Against Violence (WUAV) homenageou as brasileiras Érica Rocha, Adárcia Miranda e Meire Correia, a peruana Doris Esteban e as americanas Irmã Helena Dabrieo e Paula Finley Mangum, advogada do Victims Rights.

A primeira a receber o prêmio foi Doris, uma babá que passou a exercer a função de faz tudo na casa dos patrões. A dedicação total de Doris não foi suficiente para evitar que fosse demitida pelo único dia que faltou ao serviço por aderir à greve dos imigrantes em 1º. de maio do ano passado. Mas Doris não se arrependeu e afirmou que o prevalece é o “compromisso de união e de luta por justiça social para todos”.

As brasileiras Érica e Adárcia foram homenageadas pela coragem de dizer não à violência no trabalho. Enquanto Adárcia não pode comparecer porque estava limpando casas, novo emprego depois de dar um basta aos desmandos do patrão, Érica dedicou o tributo àqueles que lhe deram apoio. “Foi um momento muito difícil. Eu agradeço a Cláudia (Tamsky) e o Diego (Low) do Centro do Imigrante Brasileiro e o Grupo Mulher Brasileira por terem acreditado em mim.” Érica entregou o prêmio à advogada Paula Finley Mangum que afirmou ter escolhido advocacia para promover melhorias na sociedade. “É isso que tento fazer”, comentou Paula que atua em casos de violência doméstica e assédio sexual.

Para Irmã Helena, ativista e organizadora na comunidade brasileira de Peabody, o prêmio brasileiro é muito importante porque vem de sua terceira família. “A minha primeira família foram os meus pais, a segunda minha Congregação e foi no Brasil que nasci pela terceira vez.” Já Meire Correia, do Centro Comunitário Católico de Allston, foi enfática ao ser premiada: “Não faço nada mais do que minha obrigação como cristã, como cidadã consciente da responsabilidade social”.

Mas todas elas são merecedoras sim. A luta dessas seis mulheres é referência para a batalha de livrar trabalhadoras do estereotipo submisso e inferior de mulher e imigrante, para serem vistas e respeitadas como seres humanos. O Dia Internacional da Mulher não é uma comemoração, mas um grito, em todas as línguas, exigindo o fim das injustiças. E este ano as mulheres de Massachusetts tiveram que gritar mais alto já que dois dias antes centenas de mulheres, sete brasileiras, foram presas numa ação cinematográfica de caça a bandidos. O crime dessas mulheres? Trabalhar duro. O pecado? Não ter documentos.

A candidata ao governo de Massachusetts no último pleito, Grace Ross, do Partido Verde, esteve presente no evento de quinta-feira. Grace demonstrou o seu apoio às mulheres imigrantes e condenou o episódio de New Bedford. “As imagens que estou vendo na imprensa parecem com os filmes da época do nazismo, do holocausto”, comparou. E completou que a atual lei de imigração dos Estados Unidos é “ilegal e imoral”.

Por tudo isso, o grito das trabalhadoras deve ir além do dia 8 de março e ser ouvido todos os dias.

O WUAV nasceu no Centro do Imigrante Brasileiro (CIB) em 14 de dezembro de 2005 em resposta a vários casos de assédio sexual no local de trabalho envolvendo brasileiras. A força-tarefa é formada pelo CIB, Grupo Mulher Brasileira, Irish Immigration Center, Lowell Community Health Center, Centro Presente, Jobs with Justice, Voices Against Violence, Victims Rights e Women's Institute for Leadership and Development (WILD).
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