Pesquisa mostra que os últimos sete anos registraram a maior entrada de imigrantes nos Estados Unidos do que qualquer outros sete anos da história do país. Cerca de 10 milhões de estrangeiros chegaram entre 2000 e 2007.
Cerca de 10 milhões de estrangeiros se mudaram para os Estados Unidos entre 2000 e 2007, sendo que mais da metade deles permaneceram no país sem status legal.
Os números são resultado de uma pesquisa realizada pelo Center for Immigration Studies, de Washington, divulgada na última semana. O estudo analisa também a taxa de imigração em cada estado e o uso dos services públicos pelos imigrantes legais e ilegais.
Os resultados foram contestados por alguns especialistas no tema, que afirmam que o autor da pesquisa, o diretor Steven Camarota, analisou apenas o uso dos services públicos pelos imigrantes, mas não as suas contribuições para a economia do país.
Uma nação de imigrantes
Em cada oito pessoas que vivem hoje nos Estados Unidos, uma é imigrante, um total de 37.9 milhões de pessoas – o maior número registrado desde a década de 1920, quando a adoção de leis de imigração mais rígidas diminuiu o fluxo migratório no país. A pesquisa, que foi feita baseada em dados do Censo de março deste ano, confirmou a estimativa de que, desta população,12 milhões são indocumentados.
Os estados que têm recebido o maior número de imigrantes são também os lugares onde o tema imigração tem sido debatido ferozmente. Califórnia, Flórida, Illinois, New Jersey, Nova York, Arizona, Georgia, Maryland, Pennsylvania e Virginia registraram as maiores taxas de imigração. Em Nova York, por exemplo, um em cada 10 moradores é imigrante.
O estado perde apenas para a Califórnia. New Jersey ficou na terceira colocação, com um imigrante para cada 20 moradores. Tanto em New York como em New Jersey, o número de imigrantes corresponde a 22% de toda a população. Na capital do mundo, o número de estrangeiros cresceu 152 mil entre 1995 e 2000 e para mais de 588 mil desde 2000.
Uso de serviços públicos
A pesquisa do Center for Immigration Studies constatou também que os imigrantes são, em parte, responsáveis pelo aumento do número de pessoas sem seguro medico no país. De acordo com Camarota, cerca de 30% dos imigrantes não têm plano de saúde, comparado a 13% dos americanos.
Sob outro ângulo, uma em cada três pessoas sem seguro médico no país é imigrante ou filho de imigrantes.
O estudo mostra ainda que 1/3 das famílias imigrantes recebem algum tipo de assistência pública. Na maioria, os benefícios oferecidos são Food Stamps e Medicaid.
Camarota observou também que 31% dos imigrantes com mais de 25 anos, tanto legais quanto ilegais, não conseguiram completar o high school. Entre os americanos a taxa é de 8.4%. Entre os adultos hispânicos, o índice pula para 51%.
Conseqüentemente, o s imigrantes são normalmente empregados em atividades de baixa remuneração, que exigem um grau menor de instrução e não oferecem plano de saúde e outros benefícios. O único estado em que essa constatação não se aplica a maioria dos imigrantes é em Nova York, onde há um grande número de estrangeiros com alto nível de instrução, em trabalhos mais estáveis e bem renunerados. Com isso, a diferença socio-ecônomica entre imigrantes e cidadãos não é tão grande.
Estudo é contestado
Para muitos especialistas em imigração, a pesquisa de Camarota focou o custo gerado pela utilização dos serviços públicos pelos imigrantes, mas não analisou as contribuições que eles fazem ao pagar taxas e ocuparem atividades de baixa remuneração que os americanos dispensam. Segundo estudos de Dowell Myers, demógrafa da University of Southern Califórnia, novos imigrantes do estado da Califórnia, com o passar dos anos, movem rapidamente para trabalhos mais estáveis, com mais benefícios, ajudando a
reduzir o índice de população desprovida de plano de saúde, por exemplo. Para Wayne Cornelius, professor de ciências públicas da Universidade da Califórnia, o estudo de Camarota obscura o progresso significante que os filhos e netos de imigrantes trazem para o país.