Em diversas regiões do país, estrangeiros respondem por 25% das casas vendidas
Para comprar sua casa de três dormitórios no valor de US$ 389,000, o casal Patrícia e Sebastian cortou os passeios, as idas ao cinema e até optaram por um casamento civil em vez de uma grande cerimônia religiosa. Talvez eles não saibam, mas ao comprar o imóvel eles fizeram mais do que realizar um sonho pessoal: também aqueceram o abatido mercado imobiliário norte-americano.
Com o aumento do poder aquisitivo, um número cada vez maior de estrangeiros está ajudando a movimentar a economia nos Estados Unidos. Se o Congresso não determinar novas restrições, espera-se que os imigrantes legais e ilegais, e seus filhos nascidos no país, sejam responsáveis pelo impulso que aumentará a venda de casas nos próximos anos, fortalecendo o mercado e contribuindo com a economia em geral.
Calcula-se que o número de casas nos EUA, de 2005 a 2015, alcançará 14,6 milhões de unidades, ou seja, quase dois milhões a mais do que no período de 1995 a 2000. Segundo uma análise recente do Centro Conjunto de Estudos Imobiliários da Universidade de Harvard, isso se deve principalmente a uma maior quantidade de estrangeiros prosperando no país.
Nos últimos anos, os imigrantes passaram a corresponder a mais de 40% das famílias que vivem nos Estados Unidos, um aumento considerável em comparação com os 30% registrados na década de 90, e 15% na década de 80. “A quantidade de casas novas construídas têm relação direta com o aumento do número de famílias imigrantes”, observa Eric Belsky, diretor executivo do centro.
Casas pequenas impulsionam o mercado
Ainda que a maioria opte pelo aluguel de casas, é crescente o número de estrangeiros interessados em fixar residência nos EUA, decidindo pela compra do imóvel próprio. O levantamento de Harvard afirma que os imigrantes responderam por 13,8% de todas as compras de casas em 2005, um aumento de 2,4% em relação ao ano de 2001.
As cifras são maiores em locais onde o fluxo migratório é grande. Na Califórnia, quase um terço dos compradores de casas em 2005 eram imigrantes. Em Nova York, New Jersey e Flórida, entre 20% e 25% eram estrangeiros.
“Quando essa recessão imobiliária for superada, os imigrantes terão um papel ainda maior na economia”, afirma Dowell Myers, professor da Universidade do Sul da Califórnia. “Os imigrantes compram o fundo do mercado imobiliário, e se o fundo é fraco, os preços desabam, tornando acessível a realização do sonho da casa própria. A venda de casas pequenas está impulsionando o mercado”.
Os profissionais de imóveis que trabalham apenas com estrangeiros confirmam essas informações. A Global Real Property Solutions, localizada a oeste de Boston (MA), é uma companhia que tem 75% de clientela estrangeira e garante: não há crise. “Quando vou às reuniões de vendedores imobiliários ou a uma classe de avaliação, sempre ouço reclamações sobre a lentidão do mercado, mas esses comentários realmente não me afetam, pois minha empresa vai bem”, diz um dos executivos da empresa.
Ao fazer uma projeção para os próximos anos, pesquisadores de Harvard são bastante otimistas: acredita-se que os imigrantes e seus filhos comprarão grande parte das casas que estarão à venda, pois eles farão parte de um grupo economicamente ativo, enquanto a população norte-americana estará envelhecendo. “Os imigrantes serão ainda mais importantes no futuro. São seus filhos que vão salvar nossa economia quando a geração de americanos de hoje envelhecer”, analisa.