Novamente o Brasil é notícia de forma negativa por causa do episódio da deportação de 20 brasileiros pelas autoridades imigratórias da Espanha. Fatos como este têm se tornado corriqueiros. Cerca de 452 brasileiros foram mandados de volta pela Espanha no mês de fevereiro passado, ou seja, um avião dos grandes cheio de gente.
As regras imigratórias na Espanha e nos países da União Européia são claras, e quem não as cumpre não entra nem com reza forte, não adiantando chorar ou espernear. O que é humilhante é o tratamento dispensado aos viajantes que são maltratados sem a menor cerimônia.
A Europa sempre atraiu brasileiros e imigrantes de outras paragens, mas o fluxo de imigrantes aumentou com o endurecimento das autoridades americanas que também devolveu – e devolve quem não se enquadra no perfil desejado, ou às vezes nem isto, pois ao que parece as avaliações não obedecem a um critério rígido.
Os brasileiros que já eram devolvidos dos Estados Unidos, da Inglaterra, de Portugal, passaram a ser personas non gratas também na Espanha, e não vai demorar para que outros países também passem a fechar as suas portas para nossa gente.
Pouco vai adiantar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva choramingar diante de jornalistas e repórteres dizendo que no passado o Brasil acolheu espanhóis pobres, pois tal desculpa não cola, principalmente porque os tempos mudaram – e muito – para todos, inclusive para o Brasil, que em retaliação à Espanha devolveu 15 cidadãos como se eles estivessem preocupados com isto.
É certo que os brasileiros vão na maioria das vezes para trabalhar e ganhar honestamente o pão de cada dia, mesmo que para isto tenham que enfrentar todos os tipos de dificuldades, inclusive a falta de documentos hábeis para trabalhar, mas há aqueles que vão para praticar espertezas e se prostituir, entre homens e mulheres, incluindo-se aí as mulheres que são vítimas de tráfico humano.
São milhares de prostitutas brasileiras na Espanha e todas as semanas as autoridades prendem e acusam de crimes os nossos patrícios, principalmente de estelionato e falsificação de documentos. Com isto, a má fama dos brasileiros se espalha como rastilho de pólvora e não vai tardar o dia em que até os que vão a passeio possam entrar livremente sem passar por uma série de constrangimentos em vários países.
Sem contar a criminalidade crescente que envolve as colônias brasileiras espalhadas pelo mundo afora, a exemplo do que já acontece entre os brasileiros que vivem na América, pois se não bastassem todas as dificuldades enfrentadas, há brasileiros roubando, tapeando, enganando e agredindo outros brasileiros todos os dias. A maioria sequer reporta às autoridades os fatos, principalmente pelo medo de serem deportados, pelo fato de serem indocumentados.
O grande complicador no caso da Espanha é que todos são analisados, inclusive os que não vão para ficar, como aparentemente foi o caso dos dois estudantes que iam para Portugal, e nem com a apresentação de documentos hábeis conseguiram convencer as autoridades espanholas.
Em 2007, dois em cada cinco viajantes que tentaram desembarcar e foram devolvidos pela Espanha são brasileiros. Operações conjuntas visando o viajante brasileiro já foram realizadas a exemplo da que aconteceu em julho do ano passado nos aeroportos de Madri, Lisboa, Paris e Amsterdã, e que barrou 509 brasileiros num único dia.
Todos têm o direito de tentar uma vida melhor e mais digna, mas ao que parece o preço pago por alguns é humilhação, constrangimento e vergonha, além da frustração de ver os planos frustrados e por água abaixo por causa do rigor que os países ricos têm adotado contra imigrantes de todos os lugares do mundo, e em especial contra os brasileiros, o que não significa intolerância, mas sim, preocupação com o aumento da imigração ilegal.