Fonte: Agência BR NEWS Da redação com agências
Em meio ao debate sobre reforma migratória, uma questão sempre causa muita polêmica. Os imigrantes ocupam no mercado de trabalho vagas que poderiam ser preenchidas por cidadãos americanos?
Destacando algumas estatísticas publicadas por veículos de comunicação, ativistas pró-imigrantes e empresários que dependem da mão de obra estrangeira afirmam que não. Na opinião deles, os americanos evitam trabalhar em determinados setores considerados estressantes, que exigem treinamento e longas horas de trabalho ou que os obriguem a trabalhar em ambientes desagradáveis. E quem pensa que essas atividades resumem-se à construção civil, landscaping, colheita de frutas e vegetais, limpeza e trabalhos em restaurantes está enganado. De acordo com pesquisas, há muitos imigrantes em setores da indústria e na área de saúde e tecnologia.
A agência Reuters reportou no ano passado que 70% dos trabalhadores do setor agrícola são imigrantes indocumentados, ou seja, cerca de 500 mil pessoas. A Associação Americana das Escolas de Enfermagem também afirma que o setor é totalmente dependente da mão de obra estrangeira. Inclusive, por causa das barreiras que o governo Bush está impondo para a liberação de vistos e contratação de enfermeiros de outras nacionalidades, o setor está sofrendo uma séria deficiência no número de funcionários. Uma pesquisa realizada pela Associação dos Hospitais Americanos mostra que existem 118 mil vagas abertas para enfermeiros nos Estados Unidos hoje. Um outro estudo, do Council on Graduate Medical Education, prevê que pode haver um déficit de 65 mil a 150 mil médicos em 2020 nos Estados Unidos, se o governo não incentivar a contratação de novos profissionais.
No setor de tecnologia também é possível notar carência de profissionais qualificados. A Associação Americana de Tecnologia divulgou que 77% das companhias entrevistadas em uma pesquisa apontaram a deficiência de profissionais qualificados como um problema que pode resolvido com a contratação de mais estrangeiros.
Até o setor militar, símbolo do patriotismo americano, está cada vez mais dependente da mão de obra dos imigrantes. No Iraque, 2% dos soldados em campo são imigrantes que tornaram-se cidadãos americanos. O jornal The Boston Globe, há algumas semanas, divulgou que o Pentágono considera expandir o número de cidadãos de outras nacionalidades nas Forças Armadas e abrir postos de recrutamento fora dos Estados Unidos. O motivo? Pouco interesse dos americanos natos em prestar serviços militares ao seu País.
Apesar das estatísticas, há quem acredite que não existam atividades não exercidas por americanos, mas sim um excesso de mão de obra barata, que leva empregadores a prefirem contratar imigrantes que aceitam trabalhar por salários inferiores aos que seriam pagos a cidadãos americanos.
Um jornal local do Arizona publicou que um profissional de landscaping no Estado ganhava U$15 a hora, há dez anos. Hoje, a média salarial não passa de U$ 8 a hora. Os ativistas contrários ao aumento da imigração argumentam que os americanos não exercem a atividade porque o salário oferecido não é suficiente para sustentar suas famílias num país onde o custo de vida é altíssimo. No caso dos imigrantes, boa parte do pagamento é enviado aos seus países de origem, onde, frequentemente, o dólar vale mais que a moeda local.
Um outra reportagem do jornal Washington Times relata a história de americanos contratados para trabalhar nas regiões devastadas pelo furacão Katrina que foram dispensados após a chegada de mexicanos e outros latinos que aceitaram fazer as mesmas atividades por salários menores.
Segundo a publicação, os homens enviados por agência de emprego para trabalhar na resconstrução das áreas destruídas eram residentes que perderam suas atividades com a passagem do furacão, e estavam dispostos a ganhar U$10 a hora na construção civil. No entanto, os imigrantes que se deslocaram para a região aceitaram trabalhar para ganhar menos. Estima-se que cerca de 30 mil estrangeiros mudaram-se para os Estados desvastados pelo Katrina em busca de emprego.
Os ativistas contrários ao aumento da imigração nã apóiam o programa de trabalhador convidado sugerido pelo presidente George W. Bush. Na opinião deles, o visto temporário só vai estimular a criação de mais vagas mal remuneradas.