Mesmo com toda pressão das autoridades americanas prendendo e mandando embora quem contribui direta ou indiretamente para a ocorrência de crimes, fica evidente a nossa memória curta, pois meses depois sequer nos lembramos de episódios dramáticos e constrangedores, e tornamos a cometê-los.
Em agosto de 2007, as autoridades federais e o ICE prenderam no estacionemento de um supermercado em Chelsea 27 brasileiros e os acusou de conspiração para obtenção de documentos como o green card, employment autorization e social security. O fato colocou a comunidade em polvorosa ao se descobrir que os brasileiros foram atraídos para uma armadilha por um funcionário federal que se inflitrou na comunidade oferecendo os documentos em troca de dinheiro.
A lei americana permite tal expediente e a justiça determinou que muitos dos presos fossem mandados embora depois de processados, e o ato chocou pela frieza dos métodos empregados, aos quais não estamos acostumados.
Os meios de comunicação repercutiram o fato e mesmo dizendo que não há nenhum outro modo de se conseguir tais documentos a não ser pelos meios legais, ainda assim, há gente disposta a pagar caro, às vezes com a liberdade por eles. Quem for apanhado com um documento conseguido ilicitamente fica impossibilitado de tentar a legalização através de qualquer processo legal.
O desespero, a necessidade e a premência em tentar sair das sombras, faz com que muitos sejam atraídos para verdadeiras armadilhas ou por espertalhões que buscam tirar proveito da necessidade alheia. Pessoas circulam pela comunidade brasileira oferecendo documentos legítimos a preços acessíveis e o que é pior, há quem se disponha a pagar por eles, mesmo sabendo que pode ser mais uma armadilha, ou ainda documentos falsos, mas que são oferecidos como verdadeiros.
O sistema americano em qualquer nível não permite a emissão de documentos que não seja pelos meios legais, e não há esquema algum em qualquer tempo que permita tirá-los sem incorrer em crime, se o indivíduo não tiver direito a eles, e principalmente se a sua emissão se der de forma, modo e meio fraudulento.
A situação chegou num ponto crítico e desesperador, que trabalhar em determinados lugares sem documentos tem se tornado uma façanha cada vez mais perigosa. Que viajar pelos aeroportos americanos sem documentos hábeis e sólidos é uma aventura da qual não se pode imaginar o fim dela, pois a menor suspeita de que o passageiro é um imigrante indocumentado, aciona-se o serviço de imigração sem dó ou piedade.
Por causa disto, muita gente torna-se presa fácil da esperteza das autoridades que mesmo sabendo que não vão conseguir pegar todo mundo, se dão por satisfeitas pelos que são apanhados, o que em tese deve servir de alerta para outros milhares de imigrantes indocumentados.
As soluções não são as ideais, mas é esperar pela aprovação de uma nova lei que nos beneficie a todos ou ir embora, carregando a frustração e deixar para traz a espectativa de uma vida melhor e mais digna. Por outro lado, culpar as autoridades americanas pela atual situação é injusto, pois estamos aqui porque queremos - e nos permitem - estar.
Mas há de se reconhecer que somos sim, parte importante na sociedade e que com o nosso trabalho e pagamento de impostos, ajudamos a movimentar a maior economia do planeta, mas nem por isto temos reconhecidos os nossos direitos de cidadãos.
Não estamos nesta situação porque queremos e sim porque somos impelidos e constrangidos a isto. Portanto, se oferecerem qualquer tipo de documento em troca de dinheiro, e por melhor e mais atraente que seja a conversa do vendedor, certamente há por trás uma armadilha preparada para pegar o maior número de pessoas possível, ou então algum espertalhão se valendo da ingenuidade e do desespero de quem precisa de documentos.
O final destas ofertas é choro, decepção, frustração e raiva. Não caia nelas.