“Nova York do Oiapoque ao Chuí” traz vivências pessoais de brasileiros que construíram parte de sua história na cidade que nunca dorme.
A jornalista Tania Menai é uma boa contadora de histórias. Moradora de Nova York e dona de vasta experiência no mercado editorial, ela usou sua percepção aguçada para transformar em livro experiências de brasileiros que trocaram as terras brasileiras pela competitiva vida nova-iorquina.
O resultado está no livro "Nova York do Oiapoque ao Chuí - Relatos de Brasileiros na Cidade Que nunca Dorme", lançado esta semana em NY. Tania foi atrás de boas histórias de gente comum, que batalha para sobreviver, e de brasileiros que tornaram-se personalidades por seu trabalho nos Estados Unidos. Tem de tudo: do engraxate à top model; do diarista à cantora; da babá ao florista; da médica ao estilista.
A narrativa encanta pela simplicidade e por apresentar fatos do cotidiano de 23 brasileiros, com suas dificuldades e conquistas, causando identificação imediata nos imigrantes. Os depoimentos são narrados em primeira pessoa, a fim de reforçar a identidade e as opiniões dos entrevistados, que, segundo a autora, às vezes apresentavam traços em comum.
“Meu maior medo era obter histórias repetitivas. Afinal, são todos brasileiros vivendo na mesma Babel. Contudo, me surpreendi: cada entrevistado vem de um canto do Brasil e tem uma razão para estar em Nova York. E cada um enxerga e vivencia a cidade de uma forma diferente. São histórias singulares unidas por uma característica: a perseverança”, afirma.
O livro demonstra que todos sobrevivem e amadurecem na cidade, pois têm que se adaptar a uma nova realidade. “Muitos dos personagens aproveitaram para exercer sua singularidade e inovar. O Pedro Ramos trouxe o chorinho para NY; o Jelon, seus conhecimentos de capoeira”, exemplifica Tania. “Todos fizeram e fazem de Nova York o ‘seu lugar’ no período de vivência na cidade”.
A idéia de contar histórias desses brasileiros surgiu em 2004. Inicialmente seria um documentário, mas a jornalista optou por transformar os depoimentos em livro, para alcançar leitores no Brasil e no exterior. “Este livro nasceu de entusiasmo. Depois de viver anos em Nova York, trabalhando como jornalista, senti que a mídia não dava muito espaço às histórias de imigrantes brasileiros. O que saía em jornais ou revistas eram casos extremos – ou de um fulano que ficou milionário, ou de um beltrano que foi deportado. Mas e o cotidiano desses brasileiros? Fui atrás destas respostas buscando ‘personagens’ pela cidade”, conta.
Assim como as pessoas retratadas em “Nova York do Oiapoque ao Chui”́, Tania Menai e Joana Penna – que assina as ilustrações e a identidade visual do livro – são brasileiras e foram morar em NY. Os jornalistas Gilberto Dimenstein, autor do prefácio, e João Gabriel de Lima, que escreveu o texto de orelha, também viveram por um período na cidade.