Vá na loja da esquina, seja ela pequena, média ou grande, ou ainda uma loja de departamentos e olhe nas etiquetas que identificam a origem do produto. De cada dez, certamente seis serão “Made in China”, que definitivamente invadiu a América e de quebra o mundo inteiro.
A China é um país de contrastes, pois ao mesmo tempo em que exporta seus produtos manufaturados a preços quase sem competição, é uma das nações que não respeita os direitos humanos e não tolera oposição ao governo, o que fez com que a gigante Levi’s – a maior empresa fabricante de jeans do mundo, deixasse o país. A indústria chinesa produz e monta tudo o que se imagina. Computadores, telefones celulares, eletro-eletrônicos, televisores, roupas, sapatos, alimentos, produtos de higiene pessoal e até os indefectíveis pisca-pisca natalinos que são vendidos aos milhões por módicos dólares, o que significa que em cada casa no mundo haja pelo menos um produto que foi produzido na China. Se diariamente empresas fecham em muitos países, lá acontece o contrário, pois centenas delas abrem as portas.
Pela quantidade excessiva de mão de obra, o que barateia os custos operacionais, empresas do mundo inteiro terceirizam as suas produções para a China, o que torna os seus produtos competitivos em mercados cada vez mais disputados. Pela rapidez e forma como são produzidas as mercadorias, nem sempre a questão da qualidade é levada em conta e grande parte dos produtos chineses são tidos como quinquilharias e bugigangas que têm curta duração.
Os números da economia chinesa são excepcionais. Em 2005, o país se tornou a terceira maior potência importadora e exportadora de mercadorias do comércio mundial. As exportações cresceram 28%, somando US$ 760 bilhões. A China é o terceiro maior exportador de produtos para os Estados Unidos, atrás de México e Canadá, e estima-se que no início da próxima década seja o primeiro.
Se por um lado, existe progresso e sucesso de vendas com os produtos chineses, há quem tenha dissabores. E quem está à volta com eles é a Mattel, por causa de produtos com problemas de fabricação, principalmente na linha da Barbie e do Batman, os preferidos de meninas e meninos.
A Mattel vai ter que fazer recall em cerca de 22 milhões de brinquedos fabricados na China, que têm problemas com imãs que podem ser engolidos ou com a tinta que contém excesso de chumbo.
A Mattel – a maior empresa de brinquedos no mundo, disse em comunicado que a troca dos brinquedos ou a devolução do dinheiro é preventivo, por causa de alguns casos onde crianças se acidentaram. A preocupação da Mattel é ser levada nas côrtes e ter que gastar milhões de dólares em indenizações, haja visto que o povo americano tem a extrema capacidade de tornar divergências em demandas milionárias, onde advogados ávidos por dinheiro tratam de arrancar o couro do oponente, na defesa dos seus clientes.
Com isto, a imagem dos produtos chineses e da Mattel fica comprometida nos Estados Unidos, e os prejuízos serão em milhões de dólares. Fazer um recall é uma das últimas coisas que uma empresa pode desejar, pois significa que alguma coisa falhou pelo caminho e tem que ser concertada.
Já a China precisa estabelecer meios de fiscalizar os seus produtos. Nos EUA, neste ano, animais de estimação morreram por causa de rações feita com ingredientes chineses contaminados com químicos industriais. No Panamá, pelos menos 50 pessoas morreram depois de ingerir um xarope contra gripe feito com glicerina falsificada. Pasta de dente com substância tóxica, usada na refrigeração de radiadores de carros, foi exportada para República Dominicana, Panamá e Estados Unidos, o que aumenta consideravelmente as desconfianças de qualquer produto que tenha a etiqueta de “Made in China”.