Mundo louco! Mundo insano! Mundo perigoso! Que o digam Madeleine, Isabella e Elisabeth. A inglesa Madeleine McCann, de cinco anos, desapareceu em 3 de maio do ano passado em Portugal quando seus pais estavam de férias.
Por mais que a polícia portuguesa e a Interpol investigassem, nenhum sinal ou indício da menina foi encontrado em lugar algum, e o seu desaparecimento um ano depois é um dos maiores mistérios que desafia a todos, e parece longe de ter uma solução.
Suspeitou-se de pedofilia, dos pais de Madeleine e de outras pistas que deram em nada. Sabe-se que o tráfico de órgãos e de crianças é uma das causas de desaparecimento na Europa e na Ásia e teme-se que Madeleine tenha sido levada por algum traficante, o que diminui consideravelmente as chances de que seja encontrada com vida um dia.
Já no Brasil, o caso Isabella Nardoni tem ocupado por mais de um mês o noticiário e, por mais que a polícia paulistana investigue, não se consegue chegar a uma conclusão de que foi o pai e a madrasta que a mataram e jogaram janela afora, embora tudo indique que foi isto o que aconteceu.
Dissimulados, ambos negam o tempo todo que tenham matado a pequena menina, e assessorados por hábeis advogados parecem estar preparados para enfrentar o tribunal de juri, numa batalha juridica que promete ser longa. Nos dias em que se sucederam os depoimentos do casal, a população cercou a delegacia de polícia e entre xingamentos e impropérios parece ter elegido os culpados pelo crime.
Já se sabe que grande parte das provas, por mais cuidado que tenham tido os peritos, estão viciadas ou comprometidas e mesmo com todo o esforço os peritos sequer conseguiram chegar à conclusão da causa da morte de Isabella. Este parece ser mais um caso daqueles que ficarão insolúveis, mesmo que tudo indique quem são os assassinos.
Isto mostra que com um pouco de sangue frio, de dinheiro, de dissimulação, de cinismo e de bons advogados pode se safar sem problema algum. Mas há a questão da consciência, o que não parece preocupar quem de fato matou Isabella. O grande problema é que alguém resolva fazer justiça com as próprias mãos subvertendo o direito e as leis, deixando de lado a questão crucial de que alguém perdeu a vida de forma e modo injusto e absurdo.
Já Elisabeth Fritzl safou-se com vida do cativeiro onde esteve confinada por seu pai durante 24 anos por uma peça que o destino ou a natureza pregou no sádico Joseph. Uma das filhas que Elisabeth teve depois de ter sido violentada por seu pai ficou doente e os médicos identificaram que o problema era de origem incestuosa, o que fez com que ela fosse libertada junto com os outros filhos com quem partilhava o cativeiro.
No dia em que foi preso, fichado e fotografado pelas autoridades policiais Joseph Fritzl mostrou-se arrogante e se preocupou em arrumar os cabelos implantados para parecer bem na foto.
A situação psicológica de Elisabeth deve ser das piores possíveis e aos 42 anos certamente não vai conseguir superar os problemas e traumas que sofreu durante o seu cativeiro.
Custa entender a motivação de um pai que resolve aprisionar sua filha e faz dela uma escrava sexual, sem se importar com nada à sua volta. Além disto, gerou seres que são seus filhos e netos ao mesmo tempo, numa aberração da qual pouco se tem notícia. O caso chocou o mundo civilizado que por mais barbaridades e absurdos vistos ao longo dos anos não tolera ou aceita este tipo de comportamento.
Resta-nos a indignação própria dos civilizados contra este tipo de crime que violenta, mata e desaparece junto com a dignidade humana. Dignidade que foi deixada de lado com Madeleine, Isabella e Elisabeth.