Fonte: Agência BR NEWS Juliana Melo
Não existem barreiras para os sentimentos que ligam uma mãe aos seus filhos. Em 2005, o paulista Francis Camargo fraturou a perna no trabalho e foi submetido a uma cirurgia em um hospital em Pompano Beach (FL), onde mora há cinco anos. A primeira coisa que pediu à sua esposa foi que não contasse à família no Brasil sobre o ocorrido para não causar preocupação. Não adiantou. Dois dias depois do acidente, quando ainda estava internado, Francis recebeu uma ligação de sua mãe perguntando se estava tudo bem. “Ela me disse que havia pressentido que algo havia acontecido. Não tive saída e contei sobre a queda”, relembra.
O caso é um pequeno exemplo dentre tantos que acontecem com imigrantes. Apesar de estarem longe, muitos brasileiros sabem que dificilmente conseguirão ocultar um sentimento das mães. “Numa simples ligação telefônica elas percebem quando estamos felizes ou tristes”, avalia Francis.
Essa presença materna muito além das fronteiras é fácil de ser compreendida por quem se sente amparado emocionalmente, mesmo a quilômetros de distância. É também simples de entender para quem já é mãe.
No contexto da imigração, o Dia das Mães – comemorado no próximo domingo 13, nem sempre é marcado por abraços e presentes. Para muitos brasileiros, a data é recheada de lembranças de quem está longe e ligações telefônicas que amenizam a saudade. Para mães que optaram pela imigração para garantir um futuro melhor, e amargam a ausência dos filhos deixados no Brasil temporariamente, esse é um momento para pedir paciência e coragem para persistir nos objetivos.
Driblando a saudade
O sonho de toda mãe é dar uma vida melhor para seus filhos. Porém, algumas vezes isso custa a união familiar. Para realizar seu desejo, muitas brasileiras tomam a difícil decisão de imigrar sozinhas. Há dois anos longe de seus filhos, Lucia Helena Ribeiro criou a comunidade “Estou longe dos meus filhos” no Orkut para compartilhar com outras mães a dor da ausência. Em um dos tópicos, ela mesma define o sentimento como “uma dor difícil de se explicar”, que só pode ser compreendida por quem está vivendo situação semelhante. “Se você está em outro país, buscando o melhor para o seu filho, ou então se afastou dele por algum outro motivo e está sofrendo muito, venha fazer parte desta comunidade. Eu sei o que você está passando. É uma barra ficar sem os nossos filhotes”, descreve a brasileira na página de abertura da comunidade.
Para essas mães, a saudade se alterna à determinação e ao desejo de alcançar estabilidade financeira para, enfim, retornar ao Brasil em melhores condições ou trazer seus filhos para viverem nos Estados Unidos. A paulista Mariane Duarte, 32, é mãe de Felipe de dez anos. Há três anos, o garoto mora com os avós paternos na cidade de Sorocaba – interior paulista, e ela mora com o marido em Boston (MA). “Acompanho o crescimento dele por fotos e mato as saudades por telefone”, afirma. Várias vezes, ela pensou em largar tudo, mas considera que falta pouco para concretizar seus planos. “No fim do ano, pretendo retornar ao Brasil”, antecipa.
O maior medo da paulista é a reação de seu filho. “Hoje, meus sogros são como os pais deles. Espero que ele se adapte com facilidade, pois vamos reaprender juntos a ser novamente uma família”, diz. Apesar da distância, nas conversas que mantém com Felipe, Mariane deixa claro seus projetos e sentimentos. “Digo que gosto muito dele e conto como estão os nossos planos. Faço isso para que ele entenda que nossa decisão tem o futuro dele como foco e, além disso, ele é parte dos nossos sonhos, mesmo estando longe”.
Sob a sombra da ilegalidade
Histórias de mães separadas de seus filhos sempre comovem. No início de março, trabalhadoras foram presas na fábrica Michael Bianco Inc., em New Bedford (MA), por estarem ilegais no país. A prisão provocou reações diversas, pois muitas operárias eram mães e não tiveram tempo de decidir com quem deixar seus pequenos.
O risco de perder seus filhos de vista devido à ação dos oficiais de imigração é um fantasma que assombra as imigrantes que vivem nos Estados Unidos. De acordo com o instituto Pew Hispanic Center, 3.1 milhões de bebês, crianças e adolescentes vivem sob a ameaça de serem separados de seus pais por uma ordem de deportação.
Uma das personagens mais conhecidas dessa dura realidade é a indocumentada mexicana Elvira Arellano, refugiada em uma igreja metodista em Chicago (IL) desde setembro do ano passado. Mãe de Saul, um cidadão americano de sete anos, Elvira declarou greve de fome no mês de abril e disse que preferia morrer a ter que separar-se de seu filho.
Mas a batalha por permanecer junto de sua família pode ser inglória para centenas de mães ilegais, especialmente neste momento, em que autoridades da imigração estão decididas a cumprir a lei, realizando prisões em massa que levam em conta apenas o status migratório da pessoa, independente de seus sonhos ou história de vida no país.
A brasileira Érica (nome fictício) é um exemplo. Ela foi presa numa batida da imigração em Newark (NJ), no final do ano passado, e teve que voltar para Ipatinga (MG) acompanhada apenas de uma pequena bagagem. Deixou nos EUA: planos pela metade, seu marido, e Nicole, a filha de oito anos. “Voltei sem um pedaço de mim”, fala.
A mineira conseguiu ficar apenas dois meses longe da menina. Por insistência dela, seu marido também interrompeu os planos e retornou ao Brasil. “Foi tudo muito difícil e ainda hoje não estamos totalmente adaptados, pois a nossa vida mudou completamente”, conta.
Para ela, separar pais e filhos é uma violência. “Há uma palavra que resume bem o que aconteceu com minha família: injustiça. Vivíamos há nove anos nos EUA, cumpríamos nossas obrigações e estávamos esperando pela legalização. Infelizmente, um pedaço de nossa história foi marcado pela solidão de uma mãe deportada e de uma criança que ficou sozinha, sem entender o que estava acontecendo”, destaca.
Apesar das mágoas, ela lembra do episódio com alívio. “Aprendi muito com tudo o que aconteceu. Percebi, por exemplo, que conheci amor de verdade quando me tornei mãe. No momento em que fui pega pela imigração senti desespero porque não queria pensar na possibilidade de ficar longe da minha filha. Felizmente passou e hoje vejo que ela é a melhor coisa que me aconteceu, pois me reergui e voltei a ter coragem, depois que ela voltou a viver comigo”, finaliza.
EU ENTENDO EXATAMENTO O Q EH FICAR LONGE DE SEU FILHO,ESTOU LONGE DO MEU 8 ANOS,PERDI MUITA COISA EM RELACAO AO SEU CRESCIMENTO,CHORO QUIETINHA E SOZINHA,MAS ISSO NAO ME DEIXAR DESISTIR PORQUE EH COLOCANDO ELE E MINHA FAMILIA NA MINHA CABECA E Q LUTO MAIS E MAIS PARA Q ELES TENHAM UM PRESENTE E FUTURO MELHOR.E DEIXO AQUI UM GRANDE ABRACO PARA TDS AS MAMAES FELICITANDO-AS POR NOSSO DIA.
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