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4/4/2008 - 20:59

Mão de Obra em Alta


Fonte: Agência BR NEWS

Juliana Melo

Primavera e verão são considerados "alta temporada" para serviços de manutenção e contratações temporárias. Brasileiros acreditam que o mercado de trabalho melhorará nos próximos meses, apesar da crise econômica que atingiu o país.



Os trabalhadores brasileiros que executam serviços de pintura, jardinagem e reformas em geral estão confiantes de que os próximos meses serão melhores. Depois de uma temporada de pouco trabalho, eles acreditam que a chegada da primavera e do verão vai amenizar os efeitos da crise que se instalou em todo mercado.

A explicação para tanto otimismo é simples: independente da instabilidade econômica, esse momento é propício para que proprietários invistam na conservação de casas e comércios. “As pessoas podem até economizar em uma coisa ou outra por causa da crise, mas há reparos indispensáveis, que todos têm que fazer e acabam deixando para o tempo de calor”, diz o empresário Sérgio de Deus, da Sergio Painting Plus, de New Jersey. “Tenho certeza de que os próximos meses serão melhores e que o dinheiro começará a circular de novo”, completa.

Algumas companhias já começaram a sentir uma leve melhora. Depois de amargar um período de poucos orçamentos e raras contratações, Gilberto Gouveia, funcionário de uma empresa que presta serviços de manutenção em geral na região de Boston (MA), conta que está animado com relação ao futuro. “Nas últimas semanas, aumentou o número de pedidos de orçamentos e até conseguimos fechar um serviço grande. Estou percebendo que há uma melhora gradual no mercado”.

Concorrência desleal

Apesar do clima estar a favor dos trabalhadores, o maior desafio a ser vencido é a concorrência. “Infelizmente, muita gente tem baixado o preço absurdamente, só pra ganhar o cliente”, afirma Célio S., empreiteiro e morador de New Jersey (NJ).

Para ele, essa atitude está sendo adotada por vários profissionais devido às dificuldades enfrentadas nos meses passados. Isso, no entanto, prejudica a todos. “Tem gente ofertando serviços por um preço tão baixo que não dá nem pra pagar os custos”, afirma. “Na semana passada, recebi uma proposta para fazer um orçamento de reforma num estabelecimento grande aqui da região de Newark, mas perdi porque uma outra companhia deu um preço 15% mais barato que o meu. Tentei argumentar com o proprietário do imóvel que minha empresa está regular, que eu dou garantias para meus funcionários, mas nem isso adiantou, ele levou em conta apenas o preço”.

O empresário considera que essas companhias desvalorizam o mercado. “Estamos num momento delicado da economia, em que o dinheiro não está sobrando, mas não podemos ceder às pressões, desvalorizando nosso serviço”, diz. “Na minha opinião, esses clientes que vêem só preço correm sério risco de estarem contratando maus profissionais ou companhias inescrupulosas que recebem, mas não terminam o trabalho conforme o combinado”.

Boas expectativas

Se por um lado, empresários têm que disputar cliente a cliente, por outro, bons profissionais que resistiram aos obstáculos e decidiram permanecer nos Estados Unidos tendem a ser cada vez mais valorizados, à medida que o mercado for melhorando.

Fernando Buane atua no setor de construção civil e está há nove anos no país. Ele diz que está confiante na economia norte-americana. “O mercado vem oscilando, mas ainda assim não falta trabalho nos Estados Unidos. A situação vai melhorar nos próximos meses para a comunidade, pois muitos clientes preferem os brasileiros entre todos os trabalhadores imigrantes”, avalia.

Para Buane, bons profissionais foram embora, deixando espaço para outros que não desistiram do sonho americano. “Pode apostar, quem ficou vai se dar muito bem, pois não haverá tantos trabalhadores como antes e o volume de serviços tende a aumentar cada vez mais”, completa.

Trabalhos temporários

A primavera e o verão são considerados “alta temporada” para uma série de serviços , além dos setores de reforma, jardinagem, limpeza de fachadas e pintura. Quem se dedica a atuar em serviços temporários comemora a chegada do calor.

Gabriela Coimbra, 17 anos, trabalha no verão como “dog walker”, recebendo dinheiro para levar os cães de vizinhos para passear. Ela conta que começou a fazer isso há dois anos. “Queria ganhar algum dinheiro para comprar minhas coisas e já que gosto de animais e de caminhar, vi nessa atividade uma forma de juntar uma necessidade com um prazer”, diz.

A paranaense Angélica Monteiro também está se preparando para trabalhar mais nos próximos meses. “O turismo aqui na região de Nova York é intenso em qualquer época do ano, mas no calor é ainda maior, por isso, sempre que o clima começa a esquentar, procuro um trabalho extra”, conta.

Segundo especialistas em recursos humanos, a época para conseguir vagas temporárias é agora. Se você também está disposto a obter renda extra, vale a pena ficar atento às oportunidades de serviços que vão aparecer com a elevação da temperatura.
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