Todos concordam que somos um povo ordeiro, trabalhador, honesto, sociável e amigo. Estamos sempre em busca de novas oportunidades e raramente costumamos perder uma chance de subir na vida. A imensa maioria o faz de modo honesto e digno, cumprindo todas as etapas que são impostas pela vida. Esperam, têm paciência, pagam seus impostos e taxas e fazem de tudo para não serem incomodados por quem quer que seja, principalmente, pelas autoridades.
Só que no meio desta sociedade, ou melhor, desta comunidade trabalhadora, honesta e digna, há um pequena porção de gente oportunista, casuista, espertalhona e pronta para dar o bote à primeira chance de uma rapinagem, não importando-se com os prejuízos que deixarão na sua passagem.
Todos os dias, novos golpes são praticados contra as instituções americanas ou mesmo contra outros brasileiros. As novas vítimas são as seguradoras com os golpes dos falsos acidentes com as famosas dores nos pescoços com indenizações médias de US$ 10 mil. O golpe é muito comum entre os americanos, e resulta da batida entre dois carros, com a concordância de ambos os motoristas que têm em comum uma terceira pessoa que é a intermediária do negócio.
Outro golpe, desta vez mais rentável para quem o pratica, é mandar para o Brasil motocicletas desmontadas e que na maioria das vezes são financiadas por aqui. Há também um número grande de brasileiros financiando carros, na maioria das vezes SUV, e depois de pagar algumas prestações vão embora para o Brasil pela América Central dirigindo.
Uma vez no Brasil, por qualquer trocado tratam de “legalizar” os veículos sem pagar um centavo de imposto e deixando a conta pendurada por aqui.
Não se sabe ao certo quantos são no total, mas o golpe aumenta cada vez mais, o que deixa evidente a desonestidade, para não dizer roubo mesmo da alguns da nossa gente.
Não vai demorar o dia em que os que ficarem por aqui não conseguirão mais comprar nenhum carro ou bem móvel financiado, pois quem garante que o comprador ficará aqui e honrará as prestações e parcelas?
Como se já não bastasse os milhões de dólares pendurados em contas que ficaram para trás em bancos, financeiras e cartão de crédito de gente que foi embora sem dar a mínima satisfação para os seus credores. Em muitas cidades da Flórida, é possível constatar casas e carros abandonados, principamente estes últimos que levam meses até que sejam recuperados pelos bancos e financeiras.
Claro que o nosso povo não se dá conta do mal que faz para quem fica por aqui. É de se imaginar que quem financia vai se cercar de todos os cuidados possíveis e imagináveis para preservar o capital emprestado. Também é certo que ninguém fica no prejuízo, pois o seguro sempre cobre a conta, que no final fica para o consumidor, que vai pagar pelo desatino de alguns, pois o custo que é embutido no financiamento trata de encarecer consideravelmente.
Ninguém pode obrigar alguém a ser honesto, principalmente quem vai embora carregando o que comprou e não pagou, ou quem simplesmente abandona bens sem dar satisfação alguma aos seus credores, sem contar aí o que se deve em cartões de crédito.
O que nos espera no futuro é o estigma de uma comunidade dada a não pagar as suas contas e honrar seus compromissos, fama que infelizmente tem sido disseminada pelos próprios brasileiros. Também cada um sabe das suas condições de vida e financeiras, e a maioria compra por impulso sabendo de antemão que vai dar o golpe, o que definitivamente evidencia o caráter, ou a falta dele.
Ninguém vence na vida se não for pelo caminho da honestidade e da retidão moral. Ao optar pela imoralidade, muitos dos nossos têm deixado para os que ficam uma herança nefasta, tenebrosa e irreparável.