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4/10/2008 - 23:21

Missão: ajudar os imigrantes


Fonte: Agência BR NEWS

Juliana Melo

Organizações não-governamentais tornam-se referências importantes para brasileiros que vivem nos EUA. Pedidos de ajuda vão de aconselhamento psicológico a orientação jurídica em caso de prisão ou morte. Para alguns especialistas, instituições cumprem papel que deveria ser do governo brasileiro.



As organizações da sociedade civil, criadas com o objetivo de ajudar os imigrantes em diversas situações, ganharam uma importância maior nos últimos meses. A crise econômica, a situação imigratória e o próprio dia-a-dia cheio de dúvidas, fez com que entidades como a BAUA (Brazilian American United Association), em New Jersey, e o CIB (Centro do Imigrante Brasileiro), em Massachusetts, se transformassem em referências obrigatórias para os imigrantes que vivem nos Estados Unidos.

Apesar de estarem localizadas em dois Estados com grande número de brasileiros, as duas entidades não atuam apenas regionalmente. Elas recebem chamadas do país inteiro, de pessoas ansiosas por encontrar alguém que possa dar um tratamento mais humano aos seus casos.

A catarinense Mariana Soares mora na Flórida, mas sugeriu que seu marido ligasse para o CIB quando seu cunhado foi preso por estar ilegalmente nos Estados Unidos, no ano passado. “A gente sente mais confiança nessas instituições, porque são conduzidas por gente como a gente, pessoas que entendem nosso sofrimento e conhecem de perto a vida do trabalhador brasileiro”, fala.

Ela já havia morado em Massachusetts e acompanhava o trabalho da entidade. “Nossa decisão foi acertada: estávamos bastante nervosos, mas recebemos orientações que nos ajudaram a tratar a situação com mais racionalidade e calma”, relembra.

Assim como ela, todos os dias pessoas de vários cantos do país procuram essas organizações. No topo dos pedidos estão as questões legais, envolvendo prisões, intimações de comparecimento à côrte, problemas trabalhistas, violência doméstica, questões familiares e até acompanhamento psicológico.

Ao mesmo tempo em que há um grupo de pessoas que recorre a essas entidades para remediar situações cotidianas, há outras centenas de jovens e adultos que participam regularmente de cursos de inglês, encontros e seminários.

Papéis invertidos?

Para alguns especialistas, as instituições sociais cumprem um papel que deveria ser do governo brasileiro. “Os imigrantes recorrem a essas organizações porque não encontram suporte nos consulados. É nessas entidades e em igrejas que eles vão para pedir socorro quando enfrentam dificuldades econômicas, doenças, ou quando precisam levantar recursos em caso de falecimento”, observa a socióloga Ana Vieira.

Para ela, ainda que os consulados cumpram as obrigações que lhes são atribuídas, eles poderiam ser mais abrangentes, especialmente na parte social. “Temos mais de 1 milhão de brasileiros vivendo nos Estados Unidos, um número muito expressivo. Essa grande comunidade gera divisas para o Brasil, por isso não pode ser vista com indiferença pelos governantes”, avalia. “Na maioria das vezes, eles saem do conforto de suas cidades, em busca de oportunidades que sua terra não dá. Seria justo que o governo brasileiro desse mais apoio no exterior, principalmente na parte de assistência social”.

Nem todos, no entanto, compartilham essa opinião. Apesar de estar à frente da instituição mais influente de New Jersey, Francisco Sampa considera que a imigração é uma escolha do cidadão, por isso, o governo não tem obrigação de assistir socialmente os brasileiros no exterior.

“Os consulados cumprem 100% seu papel e, às vezes, os funcionários fazem até mais do que deveriam. Sou contra a visão paternalista do governo. O poder público tem que preparar para a imigração, dar condições para que a pessoa não saia do Brasil, ou orientar quem está decidido a emigrar para mostrar o que ele encontrará no exterior”, afirma.

Na opinião de Sampa, muitos problemas que são levados até as instituições sociais, como a BAUA e o CIB, poderiam ser evitados se os imigrantes estivessem mais preparados. “Muitos dizem ‘eu não sabia que era assim’, vêm enganados, acreditam que aqui será um bom lugar para ganhar dinheiro, esquecendo-se que há desafios e obstáculos”, diz.

O presidente da BAUA considera que o principal papel das organizações não-governamentais é mostrar que diversos problemas podem ser evitados se a pessoa tiver informação. “Compete à comunidade como um todo ajudar os brasileiros, envolvendo-se em iniciativas sociais. Não adianta ficar cobrando uma solução do governo ou do consulado. É necessário agir. Cito um exemplo comum: casos de falecimento geralmente causam transtornos porque o translado do corpo para o Brasil custa 10 mil dólares. Essa história de levantar dinheiro pedindo contribuições da comunidade poderia ser evitada se a pessoa fizesse um seguro de vida, pagando 25 dólares por mês”.

De acordo com Francisco, a BAUA tem atuado com sucesso nesse sentido. “Aos poucos, estamos conseguindo alertar os brasileiros sobre suas obrigações, conscientizando-os de que estamos aqui para apoiar, mas eles também precisam se ajudar, informando-se e buscando meios de se inserir na vida norte-americana”, completa.

Serviço

* BAUA – New Jersey
Telefone: (973) 344 4474
E-mail: Baua2007@yahoo.com

* CIB – Massachusetts
Telefone: (617) 783-8001
E-mail: bic@braziliancenter.org
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