Premiere Brazil, festival de filmes produzido pelo Museu de Arte Moderna de Nova York, reúne produções inéditas na cidade
Verão é época de cinema brasileiro em Nova York. Este ano, a exibição começou no MoMA, Museu de Arte Moderna, que junto com o Festival Internacional de Filmes do Rio de Janeiro organiza há cinco anos o Premiere Brazil.
Desde a última quinta-feira, 12 filmes inéditos na cidade ou no país estão sendo exibidos nas salas do “The Roy and Niuta Titus Theaters”. A maioria deles são produções recentes, que já passaram por festivais internacionais, e abordam uma temática diversificada que abrange desde a vida contemporânea da classe média e favelas até a identidade cultural brasileira.
Como de costume, um clássico do cinema brasileiro faz parte da mostra. Este ano, o Premiere Brazil trouxe “Pixote: A Lei do Mais Fraco”, filme de 1981, dirigido por Hector Babenco e escrito por Jorge Durán, que recria a realidade dos meninos de ruas de São Paulo. Para completar a homenagem, “Pixote in Memoriam”, documentário dirigido por Felipe Brisso e GilbertoTopczewski, também é exibido no festival. Neste filme, os diretores contam o trágico destino de Fernando Ramos da Silva, ator que interpretou Pixote, e acabou levando para a vida real a triste realidade que viveu no cinema.
Entre os outros títulos da mostra deste anos estão “Antônia”, de Tata Amaral, “Cão Sem Dono”, Beto Brant e Renato Ciasca, “Os 12 Trabalhos”, Ricardo Elias, “Fabricando Tom Zé”, Decio Matos Jr., “Proibido Proibir”, Jorge Durán, “Cartola”, Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, “AfroReggae. Nenhum Motivo Explica a Guerra”, Carlos Diegues e Rafael Dragaud, e “A Casa de Alice”, de Chico Teixeira.
De acordo com Ilda Santiago, uma das curadoras do Premiere Brazil e diretora do Festival Internacional de Filmes do Rio de Janeiro, a mostra reúne algumas das melhores produções realizadas no ano passado e este ano.
“A gente faz uma seleção dos melhores filmes brasileiros, é claro, que muitos ficam de fora. São filmes de alta qualidade, mas que teriam poucas chances de serem apresentados nos Estados Unidos ou em Nova York, principalmente, num local tão privilegiado como o MoMA”, diz Santiago.
A exibição de 12 produções durante 10 dias reflete o crescimento de um Festival que começou pequeno, sem fazer muito barulho, há cinco anos. “No início eram cinco dias só. Hoje são dez dias, com as sessões absolutamente lotadas”, compara Santiago.
Para ela, o crescimento não só do Premiere Brazil, mas também de outros festivais, assim como a importância que o cinema brasileiro ganha no exterior é resultado de um trabalho contínuo e em conjunto. “É o desenvolvimento do trabalho que vários outros atores, diretores e agentes têm feito para divulgar o cinema brasileiro e do próprio governo brasileiro que hoje entende melhor a importância de divulgar as nossas imagens fora do Brasil. Tão importante quanto produzir, é ter os canais que façam com que os filmes possam ser vistos”, completa.
O Premiere Brazil vai até dia 23 de julho. Os horários de exibição dos filmes estão no site www.moma.org. Mais informações: 212-708-9480