Fonte: Agências Internacionais
Desde que a maioria dos estados passou a exigir Social Security para emissão de carteira de motorista, as seguradoras de automóveis perderam um grande mercado consumidor. Porém, como as regras para emissão do seguro varia de estado para estado, em alguns deles, empresários do ramo descobriram que as lei não os impedem de conceder uma apólice para quem não tem licença para dirigir.
A califórnia, por exemplo, é um desses estados. “Quando nos demos conta de que era legal (emitir seguro para quem não é licenciado) e de que não seríamos punidos, nós nos voltamos para esse mercado”, diz Brian Duffy, diretor da Alliance United. “Nós estamos explodindo em crescimento”.
A situação é mais um exemplo do quanto o poder de compra dos imigrantes indocumentados influencia a opinião pública e o quanto as leis podem ser contraditórias. Enquanto alguns políticos e empresas públicas e privadas reclamam de que os imigrantes são um peso para o Estado, outras companhias, como bancos e seguradoras, os vêem como um potente mercado consumidor.
No ínicio deste ano, o Bank of America começou a oferecer cartão de crédito para pessoas sem Social Security e histórico de crédito, categoria que inclui, na sua maioria, os imigrantes indocumentados. Empresas de contabilidade também tiveram lucro este ano atendendo os imigrantes que decidiram fazer pela primeira vez sua declaração de Imposto de Renda.
Cobrindo os imigrantes indocumentados, as seguradoras de automóveis estão lidando com um problema que preocupa os residentes de muitos estados. Quem vai arcar com os custos de um acidente provocado por um motorista que não tem seguro? Os imigrantes sem seguro normalmente fogem da cena do acidente e até abandonam os seus veículos para não ter que encarar a polícia. Outros imploram ao outro motorista para deixá-lo pagar as despesas, sem chamar a polícia.
Embora os críticos afirmem que as seguradoras estão legitimando a presença dos imigrantes indocumentados ao concedê-los seguros, empresários do ramo argumentam que os imigrantes irão dirigir para trabalhar de qualquer forma. Por isso, passaram a emitir a apólice mediante apresentação de uma carteira de motorista internacional ou até mesmo de uma matrícula consular.
Jeff Dailey, chefe-executivo da Bristol West Holdings Inc, companhia da Califórnia que se especializou em apólices de alto risco, diz que o motorista estrangeiro tem provado ser um bom negócio para empresa. “Eles não têm licença para dirigir, mas são cuidadosos ao apresentar prova de responsabilidade financeira caso se envolvam num acidente. Porque o seu histórico como motorista pode ser verificado pela seguradora, eles acabam pagando mais quando há muitas violações”, afirma.
Nacionalmente, estima-se que 15% de todos os motoristas não têm seguro, de acordo com a Insurance Research Council. Não há dados sobre qual a proporção deles é imigrante ilegal.
Apesar de dirigir sem carteira ser ilegal, geralmente não há punição quando o registro do carro e o seguro estão em ordem.