Fonte: Agência BR NEWS Ingrid Tonelli
Um pouco antes do Dia das Mães li este texto que me fez analisar por dias a nossa responsabilidade neste mundo. Ele não cabe somente ao Dia das Mães, mas ao dia-a-dia que todas nós, mães vencedoras, enfrentamos na vida.
O texto foi retirado do livro “ The Invisible Woman”, (A Mulher Invisível”), da autora Nicole Johnson, e retrata os conflitos de uma mãe que um dia cruzando a rua de mãos dadas com seu filho, passou por uma outra mãe que também se encontrava com seu filho, quando o mesmo pergunta : - Mãe, quem é aquela mulher alí? - Não conheço, não é ninguém não, filho - a mãe responde. A outra mãe, um tanto quanto ofendida ao ouvir a resposta daquela mulher para seu filho, se colocou a perguntar – Será mesmo que eu não sou ninguém, será que sou invisível aos olhos dos outros, e a minha existência se limita somente aos cuidados de meu filho e minha família?
Não que seja pouco, somente não é agradável se sentir invisível perante os outros porque você é somente uma mãe. Então um dia, em uma festa que comemorava a chegada de uma amiga depois de uma viagem à Inglaterra, lá estava eu, invisível novamente, com um cabelo meio estranho, pois não deu tempo de arrumar; uma roupa que não cabia muito à ocasião, pois foi a primeira que consegui encontrar, os filhos não me deram oportunidade para me arrumar melhor... e aí, em meio à reunião e de tantas conversas interessantes - com excessão dos meus comentários que se limitavam aos trabalhos escolares de meus filhos - esta amiga, muito estimada, me presenteou com um livro que, segundo ela, cabia exatamente ao tipo de vida e escolhas que fiz na minha jornada.
Cheguei em casa, mas não devorei o livro, não tinha chamado tanto minha atenção. O livro falava sobre as grandes catedrais da Europa e quatro importantes verdades sobre elas: ninguém sabe quem construiu as grandes e antigas catedrais; ninguém têm registro do nome deles, pois os construtores dedicaram suas vidas às obras que eles nem mesmo puderam ver finalizadas. Eles fizeram grandes sacrifícios sem esperar que seus nomes fossem reconhecidos; e, por último, a paixão destes artistas por suas obras eram definidas pela fé de que Deus estava vendo todos os seus esforços.
E aí uma luz trouxe o sentido do livro, a comparação entre os construtores de catedrais e o trabalho de uma mãe para “construir” seus filhos.
Cada penteada nos cabelos, cada fralda, cada mamadeira na madrugada, cada noite passada em branco, nada é em vão aos olhos de Deus. Nem sempre encontramos o reconhecimento ou ganhamos uma placa de condecoração nesta longa caminhada da maternidade, mas certamente somos responsáveis pela construção de inúmeras catedrais espalhadas neste grande planeta. Ninguém vê o nosso trabalho, nosso cuidado, nossas mãos lapidando as curvas quase perfeitas de nossas catedrais, todos os dias, a todo momento, dedicando nossas vidas. Ninguém percebe nosso empenho, somos de fato invisíveis na arte de construir pequenos homens, pequenas mulheres, mas aos olhos do Criador somos grandiosas, somos artistas, somos artesãs de Deus.
Um dia alguém pode chegar a valorizar nosso trabalho e espero que todas possamos nos orgulhar do nosso empenho, que é único, verdadeiro e sagrado. À todas aquelas que uma vez ou outra se sentiu invisível aos olhos dos outros, saiba que somente as artistas escolhidas por “Ele” serão capazes de construir as imensas catedrais, dedicar suas vidas e abrir mão de suas predileções para que a posteridade venha a apreciar tudo o que fomos capazes de contribuir para este mundo, o que só é possível através do sacrifício diário de mulheres invisíveis!