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1/24/2008 - 15:20

Mundo sem fronteiras


Fonte: Agência BR NEWS

O jornalista brasileiro Ivan Lessa escreveu para a BBC a crônica “Meu nome é ninguém”, contando de forma bem humorada como imigrantes de diversas partes do mundo têm se virado para viver na Inglaterra – mudando de nome. Optam por assim digamos inglesar – se é que o termo existe e pode ser usado – os seus nomes, para facilitar a imersão destas pessoas no cotidiano e na sociedade e, principalmente, para fugir de algumas perguntas sobre o país de origem e sobre o status imigratório.



A mesma BBC dias antes revelou numa matéria em que os brasileiros continuam sendo a nacionalidade que mais foi deportada da Inglaterra, já que os poloneses deixaram de sê-lo por causa da entrada da Polônia na União Européia.

A imigração para os países desenvolvidos e ricos como Estados Unidos, Itália, Inglaterra, Alemanha, Espanha entre outros tornou-se endêmica e de difícil controle, pois todos os dias verdadeiras massas humanas desembarcam, ou tentam desembarcar em outras nações.

Hoje há na Europa vários caminhos para se desembarcar nos países onde há emprego de sobra, e um deles é chegar em qualquer nação que faça parte da União Européia e a partir daí tentar fazer uma ponte para o destino final.

Ou então usam os velhos expedientes de se fazerem passar por estudantes, turistas ou religiosos, recursos que já não é mais possível usar em Portugal, por exemplo. Aliás, Portugal devolve imigrantes sem nenhuma cerimônia dos seus portos e aeroportos para os seus países de origem. Quem ganha com isto são os traficantes de pessoas que descobriram na prática um importante e lucrativo nicho de mercado, e também os que falsificam documentos que ganham milhões de dólares e euros por ano, sem ser incomodados por ninguém.

As razões para que alguém tente imigrar são as mesmas de sempre – ganhar mais, ter uma vida melhor e mais digna, mesmo que tenha que se sujeitar à humilhação de não ter documentos e de ser explorado o tempo todo, de ter de viver sobressaltado com medo de ser apanhado e mandado de volta a qualquer instante. O desejo de todo imigrante é poder ganhar dinheiro e fazer o seu pé de meia, geralmente na sua terra, comprando a tão sonhada casa própria ou o seu negócio.

Muitos vão na expectativa de um dia voltar, enquanto que outros falam em ficar definitivamente e vão ficando enquanto deixam, mesmo que tenham que viver precariamente.

Já as nações que acolhem imigrantes não desenvolveram – e nem se sabe se pensam em desenvolver – mecanismos para legalizar quem já está ou os que porventura vão chegar. Inclui-se aí o Brasil que é uma dos países mais severos na questão de conceder documentos a quem imigra para lá. Estima-se que só em São Paulo haja cerca de 1 milhão de imigrantes, sendo que somente 40% deles têm a sua situação migratória regularizada. O resto vive literalmente nas sombras, sendo explorados por patrões inescrupulosos e se valendo de documentos falsos para poder viver. Sem contar aqueles que entram pelas imensas fronteiras brasileiras e compram documentos ou se casam pagando uma verdadeira fortuna.

A realidade é que muitos países têm feito de tudo para proteger as suas fronteiras e limites, na maioria das vezes sem sucesso, pois imigrantes continuam chegando de todos os lugares. O que fazer então para barrar a imigração ilegal? As opiniões e sugestões são muitas e variadas, mas nem sempre aplicáveis.

A grande realidade do nosso tempo é que as fronteiras estão caindo diante da evidência de um contingente cada vez maior de pessoas de muitos países, que chegam todos os dias sem que possam ser barradas. Logo, como disse Ivan Lessa, resta a estes mudar o nome, um sinal de que as fronteiras estão mais frágeis do que nunca.
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