Músico diz que implorou para viver ao ser baleado por brasileiro
Fonte: Folha Online
"Vou te matar, vou partir sua cabeça ao meio." A ameaça, publicada nesta sexta-feira no jornal "Miami Herald", consta de recém-divulgados testemunhos sobre a tentativa de assassinato que sofreu o compositor Estéfano no final de maio em Miami, na qual o brasileiro Francisco S. de Oliveira foi acusado de atirar para matá-lo.
"Implorei por minha vida", afirma Estéfano, 40, no testemunho, de acordo com o jornal americano. O compositor, cujo verdadeiro nome é Fabio Alonso Salgado, afirma que Oliveira, 29, chegou a sua casa em Miami por volta das 10h (11h de Brasília) do dia 25 de maio para discutir um trabalho. O brasileiro já trabalhava para o compositor há três anos, disse Estéfano.
"Perguntei a ele se estava tudo bem, porque ele parecia nervoso. Ele tirou uma arma da mochila e me perguntou em português: 'Você sabe o que é isso?' Em seguida atirou contra meu peito", relata Estéfano no testemunho reproduzido no jornal.
"Ele continuou a me chutar, depois pôs a arma atrás de minha orelha direita e atirou", diz o compositor.
Acusado formalmente por tentativa de assassinato em primeiro grau (que pressupõe premeditação), Oliveira alegou inocência. O juiz Orlando Prescott, encarregado do caso, marcou o julgamento para 5 de novembro.
Estéfano, vencedor de quatro prêmios Grammy, criou alguns dos sucessos de Shakira, Jennifer López, Ricky Martin, Thalía e Enrique Iglesias. Seu primeiro grande sucesso foi com a canção "Mi Tierra", que escreveu para Gloria Estefan em 1991.
Motivo desconhecido
Apesar de apresentar com detalhes a versão de Estéfano sobre os fatos ocorridos em 25 de maio, os testemunhos não dão nenhuma pista sobre os possíveis motivos para o crime.
Frank Rubio, advogado do brasileiro, afirma que seu cliente é inocente. "Não há nenhuma prova além da palavra deste homem [Estéfano] de que Oliveira esteve em sua casa naquele dia." Segundo o advogado, Oliveira é casado com uma cidadã americana, tem um filho e não possui ficha criminal na Flórida.
O detetive Freddy Ponce, de Miami, escreveu em seu relatório ao prender Oliveira que o brasileiro foi até a casa do compositor para levar maconha. Mais tarde, a polícia coletou um "cigarro de maconha suspeito" no local.
Aspectos estranhos
Estéfano afirma que algum tempo depois de receber os tiros recobrou a consciência e telefonou para sua agente, Odisa Beltran, 42, para pedir ajuda. "Junior [Oliveira] atirou em mim", disse ele à agente por volta das 11h (12h de Brasília).
Beltran disse que foi até a mansão e encontrou seu chefe no chão, com "sangue por toda parte". Ela chamou os serviços de emergência e permaneceu com Estéfano até a chegada dos paramédicos, segundo suas declarações.
Rubio levanta alguns "aspectos estranhos" sobre os testemunhos, de acordo com o "Miami Herald".
Ele questiona por que Estéfano não mencionou em seu relato o suposto acordo com a maconha e por que ele não telefonou diretamente para a polícia após o ocorrido.
"Obviamente, há muitas circunstâncias estranhas aqui", disse o advogado, citado pelo jornal.