Na hora da economia, funcionário é a principal vítima dos cortes
Fonte: Agência BR NEWS Helen Sinzker
Cozinheiro e brasileiro até rimam numa mesma frase, ainda podemos encaixar os “dishwashers” e os trabalhadores da preparação e da limpeza. Todos trabalham nas cozinhas de restaurantes, lanchonetes e cafeterias, e compõem o “back of the house”, descrito por um estudo da New York Restaurant City Industry Coaliton.
Em geral, esses funcionários são imigrantes indocumentados, que não falam inglês, e são mulatos ou negros. Esses trabalhadores, muitos brasileiros, têm pior condições de trabalho porque sofrem maiores riscos de acidente e de adoecer do que os que trabalham no ‘front of the house’, atendendo os clientes. Isso porque os funcionários da cozinha trabalham diretamente com produtos químicos tóxicos, instrumentos cortantes e fornos quentes.
De acordo com a pesquisa, esta disparidade agrava-se ao observar o perfil dos empresários. Ou seja, aqueles que estão dispostos a investir o necessário formam o ‘high road’, enquanto que os que economizam além do possível constituem o ‘low road’, levando os seus funcionários a condições de subemprego. E as características do trabalhador da ‘back of the house’ os transformam em alvo fácil.
Segundo a pesquisa, os salários são menores e decorrente da economia dos patrões em relação aos funcionários ‘mão de obra barata’. Os custos de saúde aumentam para o Estado. Isso porque o salário baixo não dá condições ao trabalhador de pagar por um plano de saúde. Além disso, as despesas do Estado com saúde podem aumentar quando os empregadores não cumprem as suas responsabilidades de arcar com as despesas médicas do funcionário através do seguro de compensação do trabalhador.
E exemplos não faltam. Há seis meses, o brasileiro André teve queimaduras de terceiro grau porque escorregou e mergulhou a perna direita em um container de gordura fervente enquanto estava limpando o exaustor a pedido do patrão. “Para economizar, o meu chefe dispensou o pessoal da limpeza da noite e passou a tarefa para o pessoal da cozinha”, conta André que procurou o Centro do Imigrante Brasileiro para garantir o seu direito de receber o seguro de compensação do trabalhador. Hoje, André não pode trabalhar como antes porque não suporta a dor de ficar horas em pé.
A história desse brasileiro ilustra a conclusão do estudo de Nova York que diz que ao insistirem em se manter na ‘low road’, os empresários comprometem tanto a saúde e segurança de seus funcionários como a dos seus clientes. No caso de André, o cozinheiro era obrigado a lidar com produtos químicos tóxicos durante o funcionamento da cozinha com o risco de contaminar os alimentos.
Vale ressaltar, ainda, que expor o funcionário a longas jornadas de trabalho, que por sua vez se submetem por ter que alcançar um valor razoável diante de um baixo salário, prejudica a qualidade do serviço.
O que vemos aqui é uma rede complexa de erros em que o mais fraco, no caso o trabalhador, é visivelmente explorado. Entretanto, isso pode se inverter, através da denúncia e da fiscalização. O primeiro passo, também recomendado pelos estudiosos de Nova York, é ‘conhecer os seus direitos’. Em caso de dúvida, procure um de nós do Projeto Parceria. Você é o nosso principal aliado na luta por saúde e segurança no trabalho.