Negligência médica: imigrante que se acidentou nos EUA morre em hospital de Brasília
Fonte: Agência BR NEWS Da Redação
Sebastião ficou tetraplégico e sua família lutou para que ele fosse removido para o Brasil. O imigrante morreu um dia depois de dar entrada num hospital da capital federal.
O brasileiro Sebastião Rodrigues de Neves, de 47 anos, que morava em New Jersey, é mais uma vítima da crise que atinge a saúde pública no Brasil.
Sebastião trabalhava na construção civil norte-americana há três anos. Em julho de 2007, ele foi passear em uma praia com os amigos, mergulhou, bateu com a cabeça, e ficou tetraplégico. Apesar de ser indocumentado, recebeu tratamento médico e fez cirurgias num hospital dos EUA durante cinco meses.
Os médicos americanos constataram que o estado de saúde dele era bom e se ofereceram para pagar a viagem ao Brasil. Os parentes acreditavam que o imigrante estaria melhor se recebesse tratamento perto de amigos e familiares.
A família Rodrigues, que mora em Águas Lindas de Goiás, lutou dois meses para conseguir uma vaga em um dos hospitais da região. No dia 17 de dezembro, Antônio Rodrigues das Neves, um dos irmãos, conseguiu na justiça um mandado de intimação obrigando a Secretaria de Saúde a conseguir um leito adequado para as necessidades de Sebastião.
O paciente chegou a Brasília na quinta-feira, 10, à noite, e foi internado no setor de politraumatizados do Hospital de Base. Segundo os irmãos, ele estava bem e feliz.
Apesar da insistência em saber do estado de saúde de Sebastião, os familiares ficaram dois dias sem receber notícias. No sábado, 12, os parentes foram informados de que o imigrante havia morrido.
De acordo com a equipe médica, o paciente teve uma parada respiratória que pode ter sido provocada pela longa viagem dos EUA a Brasília. “O deslocamento deste paciente certamente deve ter interferido no seu estado, mas foi uma opção da família trazê-lo para o Brasil”, alegou o subsecretário de Atenção à Saúde do Distrito Federal, Milton Menezes.
A família, no entanto, acusa o hospital de negligência médica e buscará meios de responsabilizar os culpados pela morte.
Plano de Saúde no Brasil
Doenças e acidentes são as principais causas de imigrantes interromperem os planos e voltarem para o Brasil. Por cautela, muitos brasileiros incluem nas remessas mensais o pagamento do plano de saúde familiar.
Foi a segurança de ter um bom plano que fez com que o mineiro Alberto Vieira decidisse retornar a Belo Horizonte em 2006, após sofrer um acidente em Newark (NJ). Depois de um exaustivo dia de trabalho, Alberto desequilibrou-se ao descer de um caminhão que transportava pedras de granito e foi atingido por uma das peças. O acidente lhe causou fraturas graves na perna, deixando-o internado por um mês nos EUA.
Percebendo que seria difícil se recuperar longe da família, ele decidiu seguir para Minas Gerais onde seria submetido a uma cirurgia. “Por ter pagado o plano de saúde nos oito meses em que vivi nos Estados Unidos, cheguei, marquei consulta com um especialista em traumas e fui submetido a uma cirurgia complexa num hospital particular, cercado de cuidados da equipe médica e dos parentes”, contou.
A recuperação no Brasil foi mais tranquila e o custo foi integralmente pago pelo plano de saúde. “Se não tivesse continuado com os pagamentos do plano, minha família provavelmente teria passado pela dificuldade de conseguir uma vaga e um tratamento adequado”, finaliza.