Fonte: Agência BR NEWS Juliana Melo
Depois de uma série de crimes relacionados ao uso e tráfico de drogas, as autoridades públicas e policiais de Newark (New Jersey) criaram uma divisão especial para combater o narcotráfico.
A nova divisão identificará lugares, organizações e indivíduos envolvidos com entorpecentes e funcionará nas unidades policiais. Com essa ação, o prefeito Cory Booker pretende reduzir a violência e “mostrar ao mundo que Newark não é um local de violência e assassinato, e sim uma cidade forte e segura”.
Para o brasileiro Marco Túlio, presidente da organização Rock of Faith – que trabalha na recuperação de dependentes químicos, ações repressivas não vão resolver a situação crítica vivida pela cidade. “Muitas dessas pessoas não precisam de cadeia, elas precisam é de ajuda”, destacou.
Newark vive uma grave crise de segurança. Acredita-se que a maioria dos homicídios, assaltos e outros crimes estejam relacionados às drogas. Na semana passada, dois homens foram assassinados após um tiroteio entre grupos rivais. A polícia diz ter provas de que as vítimas tinham envolvimento com entorpecentes.
O número de homicídios “per capita” em Newark é três vezes maior do que o de Nova York (NY). Segundo o prefeito Booker, os assassinatos ocorridos no ano passado alcançaram a maior soma da última década. Em todo 2006, de acordo com fontes policiais, a cidade teve 104 homicídios. Somente na primeira semana de 2007, foram registrados mais de três mortes violentas.
Alto índice de homicídios
Especialistas no tema consideram que a iniciativa tem pouco resultado prático e é “apenas mais uma tentativa” de dar uma satisfação à sociedade. No ano passado, o líder municipal já havia convocado líderes religiosos para que eles ajudassem no combate à violência. Pastores brasileiros envolveram-se na ação.
A intenção da nova divisão é interferir na ação de gangues e traficantes. As disputas por pontos de drogas ou cobrança de dívidas costumam acontecer em encontros violentos, podendo vitimar pessoas que vivem e trabalham em Newark e não têm nenhum tipo de envolvimento com esses casos. Um exemplo disso aconteceu recentemente, quando uma bala perdida atingiu um inocente que transitava pelo local.
O sucesso da divisão, no entanto, não será medido simplesmente por apreensões de pessoas e de drogas. O objetivo é identificar os locais de venda e como essa droga circula na cidade, desenvolvendo um trabalho de inteligência e repressão.
De mau a pior
O líder da Rock of Faith considera que a questão das drogas em Newark está de mau a pior. “As autoridades não têm idéia do que acontece na noite. O número de dependentes é enorme e a cada dia cresce mais. Creio que do ano passado pra cá, tivemos um aumento de 15% de usuários de drogas”, afirma.
O anúncio feito no início da semana pelo prefeito Cory Booker não sensibilizou Marco Túlio. Ele considera que a repressão não vai diminuir a criminalidade relacionada ao uso e tráfico de entorpecentes.
“É necessário punir, mas é indispensável ajudar, fortalecendo as instituições que prestam apoio aos usuários, para que eles não se tornem criminosos no futuro”, destacou.
Para ele, o trabalho social tem que caminhar lado a lado com as políticas repressivas, mostrando aos usuários que eles podem ser ajudados. “O crack, por exemplo, destrói a vida da pessoa. Primeiro, perde-se a vontade de trabalhar e depois, sem dinheiro para consumir, ela começa a assaltar para sustentar seu vício”, diz.
Comunidade em alerta
Em estimativa não-oficial, Marco Túlio acredita que existam mais de 80 brasileiros viciados em crack em Newark. Aproximadamente 30 estão em tratamento; o restante está nas ruas.
O dado sinaliza a necessidade da comunidade se envolver com essa questão. “A maioria dos imigrantes está aqui para ganhar dinheiro, fazer investimentos e só. O que muitas famílias não estão percebendo é que até seus filhos poderão ser vítimas das drogas. Quem têm filhos na high school de Newark têm 50% de chance de perder seu filho para as drogas, pois esse é o lugar de maior circulação de entorpecentes”, alerta Túlio. “Em vez de fazer só festa, nós, brasileiros, devemos estender a mão para quem precisa de ajuda”.