Fonte: Agência BR NEWS Juliana Melo
A paulista Francine Rodrigues perdeu a conta de quanto já gastou em cuidados com a aparência. Desde que se mudou para Deerfield Beach (FL), em 2003, ela adotou uma rotina que inclui escova, clareamento dos cabelos, manicure e pedicure, depilação, massagem e, vez ou outra, limpeza de pele, tratamento dentário, entre outros procedimentos.
Engana-se quem pensa que a paulista é alguma madame. Francine tem 29 anos, trabalha no setor administrativo de uma empresa de comércio exterior e administra uma rotina que envolve casamento, uma filha de apenas dois anos, e, claro, idas semanais ao salão de beleza.
A paulista integra o grupo de brasileiras “que mudam depois que se mudam para os Estados Unidos”. “Depois que vim morar aqui eu realmente mudei completamente, mas acho que isso é natural, afinal, na Flórida há mulheres lindas, que se cuidam, tem um corpo bonito e estão sempre bem arrumadas”, afirma.
Segundo ela, investir no visual é uma forma de se adequar aos padrões norte-americanos. “Meu estilo não combinava com a vida que eu levo aqui. Com o passar dos anos, a gente acaba se inserindo completamente no país. E isso inclui ficar loira, bronzeada, bem no estilão americana mesmo”, brinca.
Oportunidade
Assim como Francine, muitas brasileiras consideram os gastos com aparência um investimento e não uma despesa. A capixaba Glória Sterianos é uma delas. Há 17 anos nos Estados Unidos, ela já recorreu a diversos procedimentos cirúrgicos e estéticos para sentir-se bem. “Sempre que algo me incomodava, viajava para o Brasil e voltava mais bonita”, conta.
Glória admite que ficou mais vaidosa depois que se mudou para Boston (MA), mas tem uma boa justificativa para isso. “Nós nos cuidamos mais aqui porque temos mais oportunidades, afinal, sobra mais dinheiro”, destaca. “Se estivesse no Brasil, provavelmente não teria oportunidade de fazer tudo o que já fiz”.
Recentemente, a capixaba engravidou de seu segundo filho, Mateus, hoje com seis meses. A atenção dispensada ao bebê não deixou sua preocupação com a aparência de lado. “Me cuidei demais na gravidez e agora continuo com a rotina de cuidados que incluem depilação, unhas, cabelo com luzes, escova e corte em dia. Vou todas as semanas ao salão”, fala.
Ela defende que, ainda que seja somente para trabalhar, a mulher deve passar um batom, pentear o cabelo e usar uma roupa ajeitada ao sair de casa. “Nós não podemos relaxar. Se for necessário, vale a pena trabalhar um pouquinho mais, pra sobrar dinheiro para ir ao salão e se cuidar. Isso faz bem pra auto-estima”, completa.
Beleza simboliza sucesso
Mas, afinal, porque as brasileiras investem tanto na aparência depois que se mudam para os Estados Unidos? A psicóloga Cristina Pontes explica: “beleza é sinônimo de sucesso. Uma pessoa maquiada, com os cabelos pintados e escovados, unhas bem feitas e uma roupa bonita passa uma imagem de bem-sucedida”, explica.
Segundo Cristina, isso também faz parte do “sonho americano”. “A vaidade vai surgindo à medida que a imigrante vai conquistando autonomia e estabilidade financeira. Ficar mais bonita é uma forma de mostrar ao mundo que você está alcançando seus objetivos”.
A psicóloga ressalta que durante muito tempo a vaidade foi associada a futilidade, mas hoje as coisas são diferentes. “Essas mulheres que trabalham, cuidam da casa e da aparência são a maior prova de que vaidade não é nada negativo. Pelo contrário, é algo que as motiva a ter uma presença atuante na sociedade, seja em reuniões de amigos, nas igrejas, ou no meio profissional”, enfatiza.
Há limites? “Sim, tudo o que é demais, sobra”, responde. Se a pessoa for apenas cuidadosa, querendo estar sempre bonita, não há mal. “Só estaremos à frente de um problema se essa imigrante tiver uma imagem distorcida, achando que há defeitos onde não têm”, finaliza.