Nova Orleans: casa de milhares de trabalhadores brasileiros
Fonte: Agência BR NEWS Da redação com agências
Imigrantes ajudaram a reconstruir a cidade depois do furacão Katrina e estabeleceram-se na região.
Há pouco mais de dois anos, Marcos Pereira, um carpinteiro que vivia perto de Boston, viu na televisão imagens mostrando a destruição causada pelo Katrina em Nova Orleans.
Por trás das imagens, Pereira viu uma boa oportunidade. Despediu-se de sua mulher e dos dois filhos e seguiu para lá. Hospedou-se em um quarto de hotel em Luling e procurou trabalho. Em pouco tempo, estava com a agenda cheia de serviços.
Hoje, Pereira, de 40 anos, tem sua própria casa e levou toda família para Nova Orleans. “Gosto muito daqui”, diz. Ele faz parte das muitas mudanças que o furacão Katrina causou na região.
Assim como o brasileiro, milhares de trabalhadores mudaram-se com o objetivo de buscar trabalho. Apesar de haver grande número de imigrantes, o Consulado Brasileiro de Houston não sabe quantos vivem na área. Por oferecer oportunidades, a população é flutuante, mas estima-se que chegue a 3.000 brasileiros.
A chegada da comunidade naquela região ficou escondida, em grande parte, devido ao fluxo muito mais intenso de mexicanos e latinos de língua espanhola. Apesar disso, hoje os brasileiros destacam-se por oferecer serviços especializados, como instalação de azulejos, carpintaria e outras atividades da construção civil.
Depois do Katrina, a população de língua portuguesa se tornou o segundo maior grupo de imigrantes, sendo responsável por um terço das vagas ocupadas nas escolas de inglês.
Comércios e igrejas de apoio
À medida que foram se estabelecendo de Kenner a Chalmette, os brasileiros começaram a criar pequenas igrejas para cuidar de suas necessidades espirituais. Implantaram armazéns oferecendo produtos do Brasil, como café e guaraná, e abriram churrascarias e pastelarias. Sua presença se proliferou rapidamente nas classes de inglês oferecidas nas escolas e nas agências de serviço social.
Evandro Varnier, um empreiteiro de New Hampshire, foi com sua equipe para Nova Orleans e gostou do modo como os trabalhadores são tratados. “Há uma fusão natural da cultura de Nova Orleans com a cultura brasileira”, afirmou.
Mais que a oportunidade de ganhar dinheiro, brasileiros aprovam o clima mais quente, que favorece os serviços externos. Quem saiu de Massachusetts, Nova York e New Jersey, por exemplo, considera que é melhor trabalhar na cidade.
Mas o futuro dos brasileiros na região não é totalmente seguro.
Por ser uma comunidade que se moveu para a cidade a fim de buscar trabalho na construção civil, há um número desproporcional de homens, mulheres e crianças. Sociólogos discutem se as famílias se mudarão com o tempo, ou se continuarão separadas, enquanto as ofertas de trabalho são fartas.
Em conversa informal com trabalhadores, pastores, empresários e profissionais em geral, fica a nítida impressão de que a permanência dos brasileiros em Nova Orleans depende do movimento do mercado. Para muitos trabalhadores, após essas obras de reconstrução, é possível que a comunidade brasileira siga, novamente, para outro local onde novas oportunidades são oferecidas.