Na manhã da última terça-feira, o mundo foi surpreendido com a renúncia de Fidel Castro do cargo de presidente do conselho de Estado, que na prática significava o domínio total, amplo, geral e irrestrito da nação cubana. Alegando razões de saúde, Fidel, segundo as suas palavras, deixa de ser “comandante-chefe” para ser o “companheiro Fidel”. Aos 81 anos e há 49 anos no poder, Fidel Castro passou de libertador a ditador e oprimiu duramente o povo cubano ao governar com mão de ferro e um isolamento quase total.
Insensado por esquerdistas de todo o mundo, que sempre fizeram vistas grossas às arbitrariedades e aos desmandos do “comandante-chefe”, que começou mandando para o paredão de fuzilamento os seus inimigos que se tornaram os inimigos da “revolução”, e culminou por mandar para a prisão quem nas últimas décadas ousou discordar das suas opiniões, enfim, um ditador cruel e desumano, bem distante do revolucionário que junto com Ernesto “Che” Guevara depuseram Fulgêncio Bauptista e tomaram o poder.
Eram vistos como revolucionários românticos e que representavam uma forte contraposição ao “imperialismo” americano, que era tido como uma ameaça. Logo os Estados Unidos passou a ser visto como um inimigo dos ideais revolucionários, o que aproximou Fidel Castro da extinta União Soviética que bancou o reino cubano até derrocada do comunismo.
Neste período houve a Guerra Fria que dividiu o mundo ao meio – de um lado o império soviético e do outro o capitalismo e a democracia, que definitivamente nunca foi o forte de Cuba.
Mesmo com o progresso nas áreas da educação e saúde, falta quase tudo em Cuba, inclusive comida, o que provoca racionamento e impõe privação para a população, que sempre que pode se esforça para fugir do então reino de Fidel Castro.
Tido como um modelo a ser seguido por muitos políticos brasileiros entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-deputado José Dirceu, que se disse “emocionado” com a renúncia de Castro e escreveu no seu blog que Fidel “Não é um modelo ou a perfeição do socialismo, mas é um símbolo emblemático a representar a dignidade, a defesa, a independência e a soberania que um povo pode conquistar. Nada da história recente de nossas lutas e do povo da América Latina poderá ser escrito sem Fidel. Revolucionário, fiel à seus princípios, coerente, sempre aberto ao debate e a luta de idéias, Fidel deixa agora a linha de frente do comando do seu país para continuar como simples companheiro”.
José Dirceu exagera e carrega nas tintas ao dizer que Fidel Castro foi “coerente”, “sempre aberto ao debate” e a “luta de idéias”. Será que esta opinião é compartilhada com o povo cubano? Aberto ao debate? O que diriam os familiares e parentes dos que foram fuzilados e perseguidos pelo regime cubano? Ou o que diriam os que estão presos por divergirem das opiniões de Castro?
Ao deixar o poder ainda em vida, contrariando a máxima de que os ditadores ou são depostos ou morrem no exercício do poder, Fidel quer fazer história mais uma vez. O julgamento que a história há de lhe reservar dirá se ele foi de fato um herói mitológico, como fazem pensar o presidente Lula e o deputado cassado José Dirceu, ou um ditador insano e déspota que afligiu duramente o seu povo por 49 anos.
Já os rumos que Cuba vai tomar provavelmente sob o comando de Raul Castro – irmão de Fidel, e revolucionário de primeira hora, é uma incógnita para o mundo. Ou Raul abre o país para a livre economia ou tranca de vez e se isola do resto da civilização e vai oprimir ainda mais o já oprimido povo cubano.
Já os milhares de cubanos de Miami celebraram a saída de Fidel, enquanto que alguns brasileiros choraram. Resta saber se teriam a mesma atitude se vivessem debaixo do jugo de Fidel, o ditador.