Fonte: Agência BR NEWS Ester Chagas
Aquilo que somos hoje é resultado do que aprendemos com nossos grupos sociais primários, principalmente, nossa família e escola. Passaram-nos valores tais como: ser pessoas gentis para com os colegas, respeitadoras com os mais velhos, esforçadas nos estudos, trabalhadoras, enfim, boas pessoas.
Há pessoas, porém, que não conseguem controlar sua agressividade. Assim, assistimos à convivência, no mundo adulto, de dois tipos de pessoas: os que não conseguiram ultrapassar as barreiras infantis, socializando seus desejos primários, e os que se tornaram pessoas do bem porque venceram as etapas anteriores, fazendo escolhas dentro de seu padrão cultural. As do primeiro grupo geralmente tentam esconder seus problemas, enquanto as do segundo são consideradas “vencedoras”.
O grupo que ainda não galgou seu desenvolvimento interior sente isso como uma humilhação porque sabem o que a sociedade espera deles, embora não sejam capazes de corresponder. Com isso, esse grupo de indivíduos não raramente sai atirando pedras ou mesmo matando seus semelhantes.
É algo difícil de assimilar para quem é do bem: “já que eu não consigo ser como você, eu elimino você”. Talvez esse seja um dos fatores motivadores de muitos assassinos com personalidades psicopatas. Como aquele rapaz que, há poucos dias, na Virginia, saiu atirando em seus companheiros de faculdade, matando-os friamente. Outras vezes, não chegam a usar revólveres, mas atiram pedradas simbólicas, para que a inveja e a vaidade não transpareçam.
O grande problema é que essa agressividade sutil e velada é muito mais hostil do que parece, até porque às vezes ela vem de pessoas de quem esperávamos que partissem bons sentimentos e amor.
Em todas as relações familiares e sociais observamos as críticas depreciativas, próprias da inveja, e as alfinetadas sutis. Muitas vezes embrulhadas em papel de doce gostoso.
O pior de tudo é que não aprendemos a lidar com esse tipo de inveja, nem muito menos de quem ela parte. Por isso, nossa decepção.
Talvez, uma das soluções estivesse em se educar as pessoas para lidar com os sentimentos negativos que eventualmente venham a despertar nos outros. Ensinar, também que esses sentimentos são, embora não pareçam, derivados de uma profunda admiração. Sim, porque é óbvio que o “bandido”, no fundo, admira o “mocinho”. Se assim não o fosse, não haveria porque ainda ter esperança na humanidade.