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2/6/2007 - 10:12

O Gambá e a crise da bandeira


Fonte: Agência BR NEWS

Jehozadak Pereira

Bastou a Rede Globo colocar no ar a matéria que retrata o episódio do americano Christopher Antal, o Skunk, apresentador de um programa na TV comunitária em Marlboro, Massachusetts, que pisa e supostamente urina numa bandeira brasileira, para que o caso ganhasse definitivamente o status de escândalo, para a indignação do povo brasileiro.

Desde os primeiros dias de 2007 sabia-se que Antal havia cometido o ato veiculado no seu programa televisivo. Logo, as justificativas começaram a ser dadas, e elas diziam que tecnicamente nada poderia ser feito contra ele, pois a lei americana permite que atitude semelhante seja praticada, inclusive contra a bandeira americana, o que faz parte da livre expressão do indíviduo. Diante disto levar o iconoclasta à corte de nada adiantaria. Fazer o que então?

Primeiro tentar entender os motivos de Antal. Tido como folclórico e fanfarrão não é a primeira vez que ele se mete em confusão por causa das suas atitudes. Já atacou pessoas com ascêndencia árabe e de quebra detonou a colônia judaíca, que é muito numerosa na região.

Em 2001, Antal se candidatou à prefeitura de Marlboro e a sua plataforma era atacar a comunidade brasileira, também muito numerosa na cidade. Felizmente não se elegeu, mas não deixou de fazer barulho.

Algumas entidades comunitárias de Massachusetts quiseram e tentaram organizar manifestações pacíficas contra Antal, mas, ao que parece, elas não prosperaram. Manifestações tem tudo para acabar mal. Basta que uma pessoa qualquer provoque o outro lado para a coisa descambar para a violência e terminar em conflito.

Christofer Antal não está sozinho na sua empreitada. Por trás dele há gente intolerante e xenófoba que não gosta de imigrantes, sejam de qual nacionalidade for. O problema é que as atitudes deles se repetem sistematicamente em algumas cidades americanas. Em Framingham há a CCFIILE – Concerned Citizen’s and Friends of Illegal Immigration Law Enforcement, entidade que prega a intolerância, principalmente contra os brasileiros, cujos representantes são os irmãos Rizoli, que fazem de tudo para expor os brasileiros na cidade, como se fossemos os únicos culpados pelas mazelas locais. Jim, um dos irmãos Rizoli tentou, a exemplo de Antal, um cargo eletivo, mas foi derrotado.

Gente como os Rizoli e Antal tem visto ao longo dos anos o seu espaço na sociedade ser ocupados por imigrantes de todos os lugares do mundo. Russos, chineses, africanos e hispânicos, além de brasileiros, fazem parte da comunidade imigrante em Framingham. Até alguns anos atrás, os hispânios eram o maior número, mas foram superados pelos brasileiros. Só que qualquer coisa que acontece na cidade, os Rizoli maldosamente acusam os brasileiros como responsáveis. Certa vez uma epidemia de hepatite contaminou muitos habitantes, e os brasileiros foram irresponsavelmente apontados como sendo os disseminadores da doença.

Antiimigrantes provocam, xingam, riem, desdenham e debocham de todos que não sejam americanos, em especial dos brasileiros. A finalidade deles é desestabilizar para que haja reações às suas provocações, e com elas possíveis agressões fisícas para que então justifiquem diante da sociedade americana o comportamento bárbaro dos imigrantes – que é como eles vêem os imigrantes.

Diante disso, podemos – e devemos – ver o ato de Antal, como uma provocação barata e irresponsável, cuja finalidade é fazer com que ele tome uns sopapos numa esquina qualquer da cidade, e não será novidade alguma que acuse um brasileiro como o autor.

Oficialmente a prefeitura de Marlboro pediu desculpas à comunidade brasileira. Não é de se esperar que dá próxima vez Antal faça sobre a nossa bandeira aquilo que faz na sua privada, mas a lição que podemos tirar é a de que ele – Antal – se parace muito com o famoso bêbado da festa, que depois de tomar umas e outras, dá uma de valentão e sai provocando todos os que encontra no caminho. Se reagirem, ele vai se fazer de vítima. Se ninguém der bola ele vai voltar para o seu copo rapidinho. Qualquer coisa além disto é dar pérolas ao porco, ops, ao Gambá…
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