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4/18/2008 - 15:24

O (mau) exemplo de Danbury


Fonte: Agência BR NEWS

Jehozadak Pereira

Volta e meia a comunidade brasileira é abalada com más notícias que envolvem algumas figuras com falcatruas, crimes, delitos, violência, que terminam com prisões, condenação e, de quebra, escândalo que nos joga nas páginas dos jornais americanos.



Muita gente se pergunta o que está se passando em Danbury, Connecticut, onde moram muitos brasileiros. Jornais e publicações trazem um pouco e é possível ver que mais uma série de escândalos, desta vez envolvendo desvio e lavagem de dinheiro, culminou com prisões de empresários brasileiros da cidade.

Presume-se que as autoridades policiais investigaram a questão como é praxe, e montaram processos que colocam sob suspeita todos os comerciantes e empresários brasileiros na cidade e no Estado.

Vale lembrar que o sistema policial americano é cuidadoso nas investigações, e não poupa tempo e recursos para gravar, fotografar, filmar, documentar, juntar provas, e se cercar de todas as evidências possíveis e imagináveis para tirar de circulação quem comete crimes contra a sociedade americana.

Não será de se admirar que tenham todos os tipos de provas contra os empresários brasileiros acusados de crimes e os levem às barras da justiça buscando suas condenações. O processo é sempre o mesmo e basta assistir a qualquer filme que retrate alguma investigação para saber como procedem. Eles estão corretos nos seus procedimentos, pois quem de fato comete crimes têm que pagar por eles.

Os empresários brasileiros Renata Amaral, Mônica Teixeira, Nilander Oliveira e Marcio Mansur foram presos e estão sendo investigados por lavagem de dinheiro em valores que alcançam milhões de dólares. Outro empresário, Silas Ávila Junior, dono da Revista Palavra e ex-funcionário de um banco, supostamente envolvido num escândalo financeiro foi embora para o Brasil. Já as empresárias Renata Amaral e Mônica Teixeira pagaram fianças no valor de US$ 500 mil e estão em liberdade.

Podemos imaginar o efeito destes escândalos sobre a comunidade brasileira em Connecticut e em especial na cidade de Danbury, e o que irá acontecer com empresários honestos e trabalhadores que primam pela honestidade – não que estes envolvidos e investigados sejam culpados ou desonestos, até que sejam julgados. A realidade é que a comunidade brasileira vai ficar estigmatizada como gente dada a negócios escusos e ilegais, como se já não bastasse sermos conhecidos como indocumentados e todas as consequências decorrentes disto.

A realidade é que um sentimento crescente de ódio, preconceito e desconfiança toma conta das autoridades, dos políticos e da sociedade contra os brasileiros, em especial. Certamente, a imensa maioria dos empresários brasileiros são honestos e íntegros ao extremo. Pagam seus impostos e cumprem suas obrigações junto ao fisco e governos, e não podem ser penalizados ou comparados a uns poucos que optam pela ilegalidade e obviamente pelo crime. Ao contrário do que muita gente diz, não há perseguição contra o empresariado brasileiro

O lamentável é que, como se já não bastassem todas as dificuldades que a comunidade enfrenta todos os dias para ganhar honestamente o pão de cada dia, temos nos deparado cada vez mais com notícias deste tipo. Ser honesto é uma obrigação, já ser desonesto é opção pessoal de cada um, e o que deve ser levado em conta é que dificilmente as autoridades vão deixar passar batido oportunidades de enquadrar quem se aventura pelos caminhos da ilegalidade.

Precisamos saber, ou melhor, fazer saber à sociedade americana que não somos todos iguais. Que somos na imensa maioria honestos e trabalhadores e que não temos nada a ver com quem pratica delitos e crimes deliberadamente.

Temos ainda que ser e não parecer ser correto, independentemente de termos ou não documentos e uma situação imigratória regularizada. Temos que deixar evidente que quem cometeu crimes deve pagar por eles, e torcer para que as autoridades saibam diferenciar entre uns e outros.

Infelizmente, o péssimo exemplo de Danbury tem tudo para complicar de vez a situação da comunidade brasileira nos Estados Unidos, em especial a de Connecticut.
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