Fonte: Agência BR NEWS
A eleição de Nicolas Sarkozy, o primeiro filho de imigrantes a governar a França, tem tudo para impor uma nova – e perigosa – tendência no mundo a partir de agora. A tendência de que cada vez mais imigrantes de qualquer parte do mundo sejam definitivamente impedidos de viver em lugares que não sejam a sua pátria.
Sarkozy se elegeu tendo como uma das suas plataformas a profunda reforma no sistema de imigração francesa, e espera-se que dias negros se abatam sobre os imigrantes que tenham optado pela França em busca de um futuro melhor.
Uma amostra do que pode acontecer foi dada numa das muitas manifestações de imigrantes no dia 1o de Maio em Boston, Massachusetts. Manifestantes antiimigrantes irromperam em plena festa de imigrantes, hostilizando, gritando palavras de orden contra os estrangeiros portando cartazes com dizeres hostis, entre elas a de que imigrantes estão na América exclusivamente para roubar empregos e benefícios dos americanos natos, principalmente, nas áreas da educação, previdência e saúde.
O herói dos antiimigrantes americanos é o republicano Tom Tancredo. Candidato à presidência americana, Tancredo, para sorte dos imigrantes, não tem a menor chance de se tornar na próxima eleição presidente americano. Primeiro porque há outros candidatos melhores qualificados e habilitados do que ele, depois porque a sua pré-candidatura visa fazer o maior barulho possível, para atrair simpatizantes para a sua causa.
Se pelo menos nos Estados Unidos os milhões de imigrantes podem dormir sossegados, na França não acontece o mesmo. É de se esperar que o direitista Nicolas Sarkozy consiga capitalizar adeptos, e não será surpresa nenhuma se do lado de Sarkozy se juntarem neo-nazistas, fascistas e radicais de diversas tendências.
Tudo isso expõe a crueldade moral com que os países desenvolvidos, incluindo-se aí os Estados Unidos, tratam com suas políticas seletivas e restritivas imigrantes de todos os lugares do mundo. O que estas nações precisam entender é que ninguém deixa a sua terra porque quer. Cada um que o faz é por algum motivo importante, e o financeiro é sempre o maior deles.
Via de regra, o imigrante se torna um trabalhador não qualificado, ocupando um posto de trabalho que invariavelmente o cidadão nativo jamais vai se dignar a ocupar. Logo, o que se pode constatar é que tudo isto é uma via de duas mãos, pois ao mesmo tempo em que o mercado absorve e se beneficia da mão de obra farta proporcionada pela chegada do imigrantes, remunera – nem sempre à altura – o trabalhador e se torna cruel na medida em que nega documentos que permitam a legalização do imigrante.
É uma briga onde o gato vê o rato, mas faz de conta que ele não está ali bem debaixo do seu nariz porque lhe é conveniente, pois, no dia em que o rato for exterminado, a sua presença se tornará dispensável.
Já a França se beneficia do imigrante, pois a cada novo ano, os indíces apontam para o envelhecimento da população, principalmente, na medida em que os novos nascimentos se tornam cada vez menores. Se de fato Sarkozy impor medidas restritivas aos imigrantes, estes podem cumprir o que estão prometendo de ir embora da França para outros países da Europa, o que certamente se constituirá num verdadeiros caos, pois uma onda de refugiados jogará a Europa num desequilíbrio assustador.
O que fazer então? O problema da imigração não pode continuar a ser ignorada pelos países ricos que querem fechar as suas fronteiras definitivamente, principalmente por medo do terrorismo, e quem acaba pagando a conta é o trabalhador que imigra buscando dias melhores.
Mas se Sarkozy levar a sério a sua ameaça de reformar a política de imigração na França, que fique restrito somente lá, pois aqui ao que parece Tom Tancredo não tem a miníma chance de emplacar as suas idéias fascistas.