Fonte: Agência BR NEWS Jehozadak Pereira
O medo geralmente começa na infância e se prolonga por toda a vida. Quando crianças temos medo de dormir com a luz apagada, de ficar sozinhos, de que os pais ou os irmãos morram. Na adolescência os medos são outros. Nos rapazes é o de que a voz em mutação fique sempre daquele jeito; nas meninas é a de que o corpo que passa por transformações importantes fique disforme e desproporcional. Já na juventude, o medo do futuro e por vezes a falta de perspectiva são os fantasmas que assolam o cotidiano. Medo de não conseguir uma namorada ou namorado, medo de não se casar, de ficar só no meio da multidão.
E na América? Quais são os medos dos brasileiros que escolheram esta terra para viver, mesmo que temporariamente? De nunca conseguir os documentos americanos Este é um dos maiores – senão o maior – medo. A expectativa de que leis apropriadas sejam abertas é a esperança de milhões de imigrantes indocumentados que estão nos Estados Unidos em busca de uma vida melhor e mais digna.
Medo de ser apanhado pela Imigração No começo do mês de março uma operação da Immigration and Customs Enforcement (ICE) numa indústria, em New Bedford, prendeu mais de 350 pessoas, entre elas oito brasileiros, e reascendeu o medo de que imigrantes indocumentados sejam abordados nos seus locais de trabalho e presos.
Antonio Batista trabalha numa empresa que presta serviços para companhias em diversos estados. Por isso, ele tem que viajar entre a Flórida e New Hampshire constantemente. Por causa do medo da Imigração, ele viaja de carro ou de ônibus, mesmo tendo a sua disposição passagens de avião. Não há nada que o faça pisar num aeroporto americano.
Medo de que parentes no Brasil morram ou fiquem doentes A falta de documentos e a distância faz com que se tenha medo de que parentes que estão no Brasil morram ou fiquem doentes. Sandra Mello, veio para os Estados Unidos com o marido e o casal de filhos em 1996. Há três anos recebeu a notícia de que sua mãe estava com câncer e por mais que ela tentasse não conseguiu autorização da Imigração para viajar ao Brasil para ver sua mãe, que morreu no começo de 2006. Três meses depois chegou o green card de Sandra.
Medo de ficar doente e de morrer Este também é um dos maiores motivos de medo entre imigrantes. Como ir ao médico se a maioria não domina o idioma para explicá-lo os sintomas? A falta de confiança na medicina americana que é cara e dispendiosa também é um dos maiores temores. Mesmo com todo o desenvolvimento da medicina local, muita gente – especialmente os brasileiros – prefere métodos paliativos e a automedicação, inclusive para tratar a depressão que é um dos males que mais assola o brasileiro. Morrer em terras americanas é outros dos pavores, principalmente, entre aqueles que estão longe de casa há muito tempo.
Medo do futuro Carlos Henrique morou com a tia em New Jersey dos 15 aos 25 anos, quando voltou para Belo Horizonte. Sem conseguir documentos e com a doença do pai, ele decidiu voltar e se deparou com a falta de perspectivas, a começar na profissão. Para sobreviver, dá aulas de inglês e fica trancado em casa a maior parte do tempo por medo de ser assaltado. Nos primeiros meses se deprimiu e chorava o tempo todo ao ver que o seu futuro é sombrio e distante da realidade.