Fonte: Agência BR NEWS
O anúncio da prisão em Palm Beach, Flórida, do rabino Henri Sobel, acusado ter furtado quatro gravatas no valor de US$ 680 em três lojas diferentes, entre elas a famosa Louis Vuitton, chocou o Brasil, especialmente os membros da Congregação Israelita Paulista, presidida por Sobel, que nem de longe precisa roubar o que quer que seja, ainda mais gravatas.
Para se ter uma idéia do potencial financeiro da CIP, lá se reúnem a cada sábado grande parte do Produto Interno Bruto do Brasil. O rabino Henri Sobel tem na sua platéia gente como os banqueiros Safra – Joseph e Moise, que juntos tem uma fortuna estimada em US$ 9 bilhões, além de outros milionários que poderiam comprar para o rabino Sobel algumas das fábricas de gravatas mais caras e chiques no mundo.
Tão logo a notícia se espalhou pelo Brasil, listas de discussões, blogs e foruns começaram a receber comentários de gente de todas as camadas e classes sociais, e o ato de Henri Sobel ganhou contornos de conversa de botequim. O rabino foi xingado, espezinhado, humilhado e ridicularizado à exaustão.
Talvez o que tenha causado tanta perplexidade foi o fato de um homem reconhecidamente honrado e respeitado ter sido pilhado num delito que no Brasil é considerado rotineiro. Aliás, o Brasil e o povo brasileiro perdeu há muito a capacidade de se chocar com outros tipos de roubos e assaltos aos cofres públicos.
Só para ficar nos mais recentes, o escândalo dos mensaleiros cujo montante financeiro é impossível de ser mensurado pela complexidade e quantidade de parlamentares envolvidos, o que dificulta em todos os aspectos a apuração.
Quantos deputados foram cassados e presos por causa disto? Enrolaram daqui, enrolaram dali e a coisa ficou por isso mesmo. Vale lembrar que tudo começou com um funcionário graduado dos Correios que foi filmado recebendo meros R$ 3 mil, que daria para comprar 10 gravatas iguais as que o rabino Sobel tinha no seu carro quando foi detido em Long Beach.
O então deputado Roberto Jefferson, de quem o funcionário do Correio era protegido, botou a boca no mundo e denunciou José Dirceu, deputado que na ocasião ocupava o cargo de ministro chefe da Casa Civil do governo Lula, como o chefe do esquema que pagava propina mensal a bancadas inteiras, inclusive do PT.
Com as investigações, surgiu o nome do empresário Marcos Valério, e o país viu desfilar, numa CPI que não deu em nada, denúncias e acusações contra deputados que ou renunciaram ou foram sendo absolvidos aos poucos. Dos 19 acusados, três foram cassados – Roberto Jefferson, José Dirceu e Pedro Corrêa; quatro renunciaram e doze foram absolvidos. Uns outros poucos não conseguiram se reeleger ou não se candidataram, e definitivamente o Brasil esqueceu o assunto.
Não se sabe se o rabino Henri Sobel é de fato um ladrão - tudo leva a crer que ele está doente e precisa de tratamento, pois quem em sã consciência e com a reputação ilibada que tem o religioso, se mancharia por causa de algumas gravatas que poderia perfeitamente comprar aos montes? Já o mesmo não se pode falar de alguns políticos brasileiros que roubaram e praticaram corrupção e que estão e ficarão impunes, nos envergonhando diante do mundo.
Qual é a diferença entre quem furta umas gravatas que custam algumas centenas de dólares e quem rouba milhões impunemente? Tecnicamente nenhuma. A distância entre eles está na comoção e perplexidade provocada em ambas as situações, e ao que parece, o rabino Sobel tem a compaixão de grande parte da sociedade ao contrário dos mensaleiros.
Isso soa muito estranho, todas as vezes que um rico e pego roubando,usa-se a tatica de se dizer AH! ele e rico e nao precisa disso,porque com o salario dele, daria para compra 200 veze o produto do roubo....argumento fajuto porco e altamente discriminatorio...ate porque, todas as veze que um rico e pego roubando e que em tese, nao precisa roubar, diz-se que ele e creptomaniaco, quando i filho de um miseravel e pego roubando, ele as vezes e punido com a pena de morte....Onde voce pensa que esta a decencia, desse argumento falido???Eu acho que o seu argumento, e um daqueles samba de doido....porque voce pegou exatamento todos os creptomaniacos da sociedade brasileira, para justificar o roubo de uma outra pessoa que ao seu ver nao pode ser taxado de ladrao, simplesmente porque roubou o que nao precisava roubar...isso que dizer, que seu trabalhar, e ficar rico, eu automaticamente adquiro o direito de roubar, justamente porque eu nao mais necessito???e se eu for pego em fraglante, eu posso alegar,que sou crptomaniaco...Eu so acho, que ele foi pego no lugar certo, porque se ele tivesse sido pego la no brasil, isso nuca seria de conhecimento publico, e ele sempre ficaria com a sua mora ilibada...aqui, eu ja assisti pela televisao, muitos famoso irem para a cadeia... e la na terrinha acontece coisas como essas...o culpado sendo vitimizado, e toda uma corja indo em sua defesa...simplesmente, porque ele nao um daquele garotos que cheram cola nas esquinas do brasil...esses, sao pobres, sao ferrados e nao tem o direito de roubar, simplesmente porque precisam muito.....
hubbley affonso - boston 4/12/2007 1:36:07 AM
Me surpreendo em ler a materia publicada pelo jornalista Jehozadak, pessoa super conceituada e amiga. Porém, sua posição deixa muito a desejar no contexto por ele apresentado. Não podemos nos conformar com atitudes e fatos como os citados na matéria. Me lembrei do "bom ladrão" que foi crucificado ao lado de Jesus... desde quando se existe bom ladão? O único que eu sei é o tal do Robinhood do cinema. Na verdade os exemplos a serem apresentados deveria se os de outros tantos religiosos que fazem o mesmo que o rabino fez e em nada foram condenados. Pobre rouba e é ladrão, rabino rouba e é "desvio de comportamento" e ainda acha-se pessoa para defende-lo. Era só o que faltava! Mas a imprensa é livre e a gente lê, retem o que é bom e esquece o resto.
Jehozadak Pereira - 4/13/2007 4:55:57 AM
Amigos Valmir e Hubbley. outro dia um amigo me contou a história de um brasileiro que é cidadão americano, e que foi pego numa loja roubando pilhas e pequenas baterias. Foi algemado, preso, pagou fiança e teve de ir na corte dias depois, já que a loja não quis saber de acordo. Note, que o sujeito é daqueles que não precisam roubar nem uma agulha, tal como o rabino Sobel.
No mesmo dia da sua corte, estavam julgando um traficante de origem hispana, que tem a cidadania americana, tal como o brasileiro. O brasileiro foi condenado a prestar serviços comunitários e o hispano, foi condenado, pois os crimes, são graves, mas se há os agravantes, há também os atenuantes, e foi deles que o brasileiro se valeu.
O que quis dizer no meu texto, a começar do título, que talvez os amigos não se tenham dado conta, é que o rabino de fato roubou, coisas que ele nem de longe precisa, e os outros - os políticos citados também não precisam, mas roubam e muito.
O que acontece é que para muitas pessoas - vocês inclusive, não haja os atenuantes; só os agravantes, e talvez, penso que se dependesse de vocês o brasileiro que roubou as pilhas e as baterias fosse condenado a uma pena longa de prisão, tal como o traficante hispano.
Defendo que se o rabino Sobel cometeu um delito, que pague por ele, e nem de longe - e de perto, o defendi. Só mostrei que há ladrões e ladrões. Com atenuantes e agravantes. Entenderam?
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