A exemplo da França e do Japão, que possuem o trem de alta velocidade ou trem bala, o Brasil também já tem o seu. Não, não é um trem que leva os passageiros com segurança e conforto ao seu destino, e sim mais uma das grandes aviltações que existem quando se fala de Brasil.
O espetáculo da semana que colocou o Brasil nas manchetes do mundo inteiro deu-se no Rio de Janeiro, onde dois ministros de Estado e autoridades foram alvos fáceis quando estavam num trem que os conduziam para vistorias nas obras do porto. Ao passar por uma das muitas favelas, bandidos atiraram no trem sem a menor cerimônia ou constrangimento, mesmo que dentro do trem estivessem profissionais de inúmeros veículos de comunicação.
O episódio marca definitivamente o território sem lei e sem ordem que se transformou o Estado brasileiro, principalmente o Rio de Janeiro, onde não é a primeira vez que autoridades constituídas são vítimas de bandidos, mesmo com todo o aparato de segurança que costumeiramente cerca qualquer destes figurões.
A realidade é que a bandidagem manda e desmanda, e faz o que bem entende sem que se dê ou ofereça qualquer satisfação à opinião pública e ao cidadão pagador compulsório de impostos.
A triste realidade é que a polícia tem medo e, sobretudo, teme o enfrentamento com os bandidos por causa do forte aparato bélico que eles possuem, ao contrário do armamento oficial, que nem de longe pode ser comparado. Aliás, como é que armas e munições de última geração chegam livremente às mãos dos bandidos?
Será que as autoridades não sabem como elas entram no país, ou mesmo quem as trafica livremente? Para que serve o serviço de inteligência que qualquer Estado tem? Por que no Brasil esta inteligência não funciona adequadamente? O que impede o acesso às informações de quem vende e de quem compra?
Ou por que não se fecham os acessos aos morros onde estão encastelados os barões do tráfico e do crime? Uma vez fechados os canais de fornecimento de armas e de drogas, grande parte do problema da segurança pública estaria resolvida. Mas não, no Brasil as coisas não funcionam de modo como é na maioria dos países civilizados, e sim, o que se vê é o acovardamento do poder público, que não garante segurança, não investiga, não prende, e quando condena, deixa o transgressor fazer o que bem entende, quando não domina a cadeia.
Há quanto tempo um grande traficante de drogas é preso no Rio de Janeiro? Ou melhor formulando a pergunta, quando é que foi preso e condenado um traficante carioca? Puxando pela memória, talvez tenha sido o famigerado Fernandinho Beira-Mar, que depois de barbarizar e exterminar a concorrência no complexo penitenciário de Bangu, foi colocado à disposição do sistema carcerário federal, e reclama barbaridade disto.
Definitivamente, o Rio de Janeiro se transformou num covil de bandidos que acua e encurrala a polícia do jeito que bem entende.
Com isto, o cidadão comum se sente cada vez mais desprotegido e desamparado, pois se quem devia dar segurança se esconde e se omite com medo de morrer, quem de fato o protegerá?
Para os brasileiros que estão fora do país, a sensação é a mesma do Exilado, o personagem de Jô Soares, que ao saber do que acontecia no Brasil dizia – vocês não querem que eu volte!
Pois é exatamente isto o que se passa, com quem tem vontade de voltar, mas quando vê e ouve notícias de quem padece nas mãos de criminosos, tem a sensação de que a longa noite do descaso, da impunidade, da omissão não vai acabar nunca, a despeito do que Caetano Velloso, disse no Jornal da Globo, com sua falsa indignação. Para confirmar isto, está aí o exemplo do trem-bala, e dos seus assustados passageiros da agonia.
Todos nós brasileiros sabemos que a segurança pública agoniza no Brasil.Mas o Rio de Janeiro é um caso a parte.Na realidade, no Rio não só a segurança não funciona mas também outros orgãos públicos como hospitais, escolas etc...Mas qual seria a explicação para isso?É impressionante a forma de viver do povo carioca.Eu diria até que seria a condensação do modo de ser de um povo.Talvêz muitos dos leitores cariocas hoje morando nos EUA se lembrem que a polícia esteve proibida de subir as favelas cariocas a alguns anos atrás.Talvêz se lembrem também de como era chamada a cocaína pelos traficantes.Só para dar uma pista lembre-se de um nome de um politico já falecido.A matéria acima reflete bem a realidade carioca.O único ponto no qual existe discordancia por parte deste comentarista é quando o autor diz que a polícia tem medo.Na realidade a polícia tem medo é das leis e da mídia que manipula a justiça de acordo com sua vontade e portanto é natural que o policial não compre uma briga na qual ele tem grande possibilidade de perder,afinal no Brasil as leis são feitas por quem não precisa delas e as atitudes dos seus agentes são julgadas por "burgueses de toga",que quando não são corruptos,são nascidos longe da realidade das ruas e portanto longe também do povo.O policial se sente sozinho,sem apoio.Sente que a sociedade conspira contra ele esperando que ele erre o alvo para cortar-lhe a cabeça.Paradoxalmente o pobre é quem sofre as maiores consequencias com a bandidagem e também são eles que vão para as ruas a mando dos traficantes.No confronto com a polícia viram leões.Nas mãos dos bandidos são cordeiros.
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