Fonte: Agência BR NEWS Jehozadak Pereira
Nunca na história política brasileira, em tempos de democracia, se viram tantos escândalos num só governo – não que necessariamente o Presidente da República esteja envolvido em cada um deles, como tem acontecido atualmente.
O que não falta é escândalo. Mensalão e Caixa 2, Correios, Instituto de Resseguros do Brasil, Bingos, Sanguessugas, Dossiê Vedoin, entre outros, e as operações da Polícia Federal prendendo empresários, políticos e desmantelando esquemas de corrupção em todos os níveis da vida pública e geralmente apontando o envolvimento de alguma autoridade.
As recentes operações da PF, Hurricane e Navalha, mostraram muita coisa, principalmente, que a corrupção atingiu níveis insuportáveis e inéditos, que inclusive fazem lembrar a Colômbia na época de Pablo Escobar. Uma das frases prediletas de Escobar era o plomo o plata. Numa tradução literal ou chumbo ou dinheiro. A frase peculiar marcava o oferecimento que Escobar fazia ou mandava fazer às autoridades policiais, judiciárias, executivas e legislativas. Quem colaborava e se deixava subornar tinha a garantia que não lhe faltaria dinheiro, mas quem se negava a cooperar era sumariamente eliminado. E muitos foram eliminados por não se sujeitarem aos caprichos de El Jefe, como Escobar era conhecido.
Se a motivação de quem aceitava a plata de Escobar era o medo, o mesmo não se pode dizer de alguns figurões da política brasileira. Basta ir pesquisar na imprensa internacional para ver que nenhuma democracia em qualquer lugar do mundo tem tantos escândalos como no Brasil, nem nas republiquetas africanas ou nas ditaduras de terceiro mundo se vê tanta bagunça.
Se saírmos um pouco da política, vamos encontrar a questão da segurança pública nas ruas do Rio de Janeiro e São Paulo, onde a população definitivamente virou refém dos bandidos e traficantes que encastelados nos morros e favelas disparam contra a polícia que tem medo de entrar. Assim os tiroteios duram dias inteiros, até que os bandidos se cansem. Nessas cidades, o crime é comandado de dentro da cadeia, e se algum chefão é contrariado, certamente, algum desdobramento vai acontecer.
A ousadia e o descaramento com que o estado de direito é enfrentado e as leis são violadas não encontram parâmetros nem na ditadura, em que governantes tinham os pudores de não proporcionar escândalos e nem o terrorismo de afrontar acintosamente o estado.
Naquele período negro, as autoridades defendiam o estado com unhas e dentes, e o terrorismo e a oposição faziam de tudo para desestabilizar a ditadura. Tinham lá as suas motivações e não deixaram saudades nenhuma.
Os escândalos servem para depurar a democracia e mostrar quem é quem de fato. Mas no Brasil as coisas já passaram dos limites há muito tempo. Uma pergunta se faz necessária. Por que acontecem tantos escândalos? A resposta é simples. É por causa da omissão do Estado e dos poderes constituídos que com raras excessões não se corrompem, e, sobretudo, pela falta de delimitação entre o certo e o duvidoso, entre a legalidade e o crime, o que faz com que tudo seja extremamente parecido. Há também a certeza de impunidade que faz com que raramente alguém pilhado em qualquer escândalo seja condenado e obrigado a devolver o dinheiro roubado.
Falta às autoridades fazer como o tigre, que para demarcar o seu território faz xixi em todos os lugares, e ai de quem se atrever a invadir os seus limites. O odor característico da urina servirá de aviso, e quem transgredir não terá uma segunda chance. E poucos tem a ousadia de fazê-lo.
É assim que funciona no mundo todo, onde o verdadeiro estado de direito, que é sagrado, se impõe e tem de necessariamente ser respeitado. Só no Brasil que não…