Desde 1o de outubro de 1997, quando um adolescente matou dois estudantes e feriu outros seis numa escola do Mississippi, as autoridades americanas contabilizam mais de 100 mortes – a maioria em escolas – provocadas por atiradores alucinados e sem nenhum motivo que não fosse a insanidade e a perturbação mental.
Nesta estatística consta as cinco mortes vitímas de Stephen Kazmierczak, o brilhante ex-aluno da Northern Illinois University. Stephen deixou de tomar os remédios e se alucinou de vez. O dado mórbido nesta história toda é que as armas tanto de Stephen Kazmierczak quanto de Seung-Hui Cho, que assassinou 32 alunos e professores na Virginia Tech University no ano passado, foram compradas na mesma empresa via internet, o que evidência a falta de critérios e controles críveis para o comércio de armas.
O que choca não é somente a quantidade de mortos, pois no Brasil mata-se isto num único final de semana em determinadas cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, mas o modo como os crimes são praticados.
A cada nova tragédia busca-se as razões e por mais que procurem não consegue-se chegar a conclusão alguma, a não ser o ódio inexplicável. O que é certo é que a sociedade americana cultua desde sempre a violência como modo de vida no passado e como diversão no presente. Basta ligar a televisão para se constatar isto.
A violência está presente em jogos eletrônicos onde para se avançar de nível o jogador precisa na maioria das vezes matar o maior número possível de pessoas. Em filmes a coisa caminha na mesma direção. Um exemplo disto é o filme “Urban Justice” estrelado por Steven Seagal. Para vingar a morte do filho, policial se muda para o bairro onde o rapaz foi morto e comete dezenas de assassinatos sem ser incomodado por nenhuma autoridade policial, e ao final do filme sai andando como se nada tivesse acontecido.
O armamento usado no filme é pesado e o personagem de Seagal não economiza munição. Outro exemplo de mortandade é o novo filme de Silvester Stalone, onde Rambo volta para matar inimigos imaginários sem ser incomodado.
Logo, os jovens que assistem a estes – e outros – filmes, ou se divertem com jogos violentos não dissociam a realidade da ficção e como têm amplo acesso a qualquer tipo de armamento é só um passo para que qualquer alucinação se transforme em mais uma tragédia sem explicação.
Claro que não se pode culpar exclusivamente as autoridades pelas tragédias, pois o âmago do problema parece estar dentro de casa em primeiro lugar.
Certamente, um dos motivos é a falta de limites dos quais tanto falam os educadores e terapeutas. Arrogância, desrespeito, insolência, falta de educação, consumo excessivo de drogas e bebidas alcoólicas, e, principalmente, descaso e desdém dos pais deixam os filhos entregues à própria sorte.
Pais que não conseguem se impôr diante dos seus filhos, lares desajustados, uma legislação frouxa que não reprime, por exemplo, a questão de qualquer um pode comprar armas e munições à vontade em muitos estados, além de uma sociedade tolerante e permissiva ao extremo.
Por outro lado tais criminosos são elevados à categoria de heróis, a exemplo de Eric Harris e Dylan Klebold que em 1999 mataram 13 pessoas e se mataram no ataque da Columbine High School no Colorado. Ambos são reverenciados por milhares de pessoas, na maioria jovens que veêm neles um exemplo – mórbido – a ser seguidos, e todos os anos no aniversário da tragédia são lembrados e celebrados
Mas a pergunta que se faz insistentemente é como detectar e lidar com mentes doentes. Eles misturam ficção com realidade e matam sem que se consiga impedir mortes de inocentes que tiveram o azar de estar no mesmo ambiente que os assassinos que, cheios de ódio e sem explicação alguma, matam depois de planejar o crime minuciosamente.
O que resta? Chorar e pedir que tragédias como estas jamais se repitam.