Em oito anos, pelo menos 1.800 brasileiros foram deportados por terem cometido infrações leves, que não justificam expulsão do país
Aproximadamente 2.800 brasileiros foram expulsos dos Estados Unidos entre 1997 e 2005. Deste grupo, 1.800 responderam por “crimes menores”, que não precisariam ser punidos com deportação. O dado foi divulgado no início da semana pela organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, que criticou a legislação que entrou em vigor em 97, tornando automática a expulsão de estrangeiros que cometeram delitos no país.
Entre 1997 e 2005, os Estados Unidos deportaram mais de 672 mil imigrantes condenados por crimes. Deste grupo, segundo a organização, 434 mil pagaram um preço exagerado por seus erros, pois estariam respondendo por ofensas que não são consideradas graves. Para reforçar a acusação, eles tornaram público o caso de um homem (de nacionalidade não-identificada) que foi expulso por roubar um frasco de colírio no valor de 10 dólares. "As leis não são apenas cruéis em sua rigidez, elas não fazem o menor sentido", disse Alison Parker, pesquisadora e autora do relatório. Ela questiona: "como você explica para uma criança que o pai dela foi mandado para milhares de quilômetros de distância e não poderá jamais retornar para casa porque falsificou um cheque?".
Para a pesquisadora, o rigor das autoridades norte-americanas destrói famílias e é cruel com trabalhadores que cometeram deslizes em sua vida na América. Parker destaca que na Europa, os juízes observam os vínculos do imigrante no país antes de decidir pela deportação. Nos Estados Unidos, no entanto, não há lei que autorize os juízes a levar em conta as várias contribuições que não-cidadãos fizeram para suas comunidades ou para a nação.
Até 1996, imigrantes que cometiam crimes tinham direito a ser ouvidos por um juiz, que aprovaria ou rejeitaria a deportação, de acordo com os laços familiares e a gravidade do crime. Com a mudança da legislação em 97, as deportações aumentaram consideravelmente. Em 1997, 51.800 estrangeiros foram expulsos, 14.100 pessoas a mais que no ano anterior. Entre 2004 e 2005, o país superou 90 mil deportações.
O México está no topo do ranking das expulsões, com 517 mil mexicanos, entre 1997 e 2005. O Brasil ocupa a 10a posição com quase 3.000 deportados no mesmo período.
A organização cobrou mudanças na legislação norte-americana e acusou a agência de imigração de mascarar os reais números de pessoas deportadas, tornando públicos apenas os casos de imigrantes deportados por crimes violentos.
Deportações entre 1997 e 2005
1. México – 572 mil 2. Rep. Dominicana – 19,5 mil 3. El Salvador – 18,5 mil 4. Honduras – 14,7 mil 5. Colômbia – 12,9 mil 6. Jamaica – 12,7 mil 7. Guatemala – 11,7 mil 8. Canadá – 4,7 mil 9. Haiti – 3,2 mil 10. Brasil – 2,8 mil