Fonte: Agência BR NEWS Glênio Bongiolo
Líderes de entidades que defendem os direitos dos imigrantes em Massachusetts e New Hampshire reuniram-se na quarta feira, 10, na prefeitura de Boston, para exigir da delegação da Nova Inglaterra no Congresso que se empenhe na luta por uma reforma migratória justa. As organizações enviaram aos parlamentares uma carta contendo princípios que elas sugerem que estejam no projeto de reforma que será discutida pelo Congresso. Cerca de 300 organizações assinaram o documento.
A carta é uma forma de pressionar o recém eleito Congresso a revisar e corrirgir o sistema imigratório atual. O assunto foi colocado como um dos 10 principais pontos a serem abordados nas primeiras 100 horas de controle democrata.
“Há tempos que a reforma migratória está pendente”, explica Rafael Glavez, membro da Maine Coalition for Immigration Reform. “A unidade de uma família não deve ser determinada por local de nascimento ou status migratório. Deve estar disponível a todos.”, completou ele, referindo-se ao grande número de famílias separadas por causa de questões de imigração.
Eva Castillo, do New Hampshire Immigrant Rights Task Force, acredita na importância dos novos membros eleitos para mudar o rumo da situação da imigração no País . “Nós temos confiança que os novos membros do Congresso da delegação de New Hampshire irão garantir que todos os imigrantes saiam das sombras e entrem na fila pela cidadania e pelo sonho americano”.
A carta endereçada aos líderes da Casa dos Representantes e Senado, Nancy Pelosy e Harry Reid, respectivamente, especifica onze questões que devem ser incluídas no debate da reforma. Entre elas está a não exclusão, no programa de legalização, de imigrantes que vivam no país há pouco tempo, de pessoas que usaram documentos falsos ou que têm ordem de deportação expedida. O conteúdo da carta também destaca a importância da reunificação de famílias, a separação entre poder federal e estadual, e a garantia de direitos trabalhistas para os empregados com visto de trabalho.
“Existe um sentido de urgência pela reforma nas nossas comunidades,” conta Lena Deevy, diretora executiva do Irish Immigration Center. “Nós estamos lado a lado com nossos aliados para lutar por nossos direitos.”.
Os líderes imigrantes disseram que estão criando estratégias para sensibilizar a população americana sobre a importância das mudança nas leis de imigração. No dia 30 de janeiro está marcada uma reunião em Washington,DC, para discutir ações de mobilização.
Segundo Ali Noorani, director executivo do Massachusetts Immigrant Refugee Advocacy Coalition, o momento é propício. “Todas as opções estão na mesa. Nós temos um legião de novos ativistas e comunidades que estão aumentando seu grau de engajamento político. Esta carta é um ponto de partida importante para uma solução pró-ativa em direção a uma reforma real.”.
Os líderes salientaram que as discussões para a reforma estão totalmente em aberto, e que novas propostas, diferentes das apresentadas no ano passado, devem aparecer. Um político presente no local, que preferiu não se identificar, foi categórico ao afirmar: “A dúvida não é se a reforma será aprovada, pois ela será. O que importa agora é o conteúdo desta reforma e a quem ela irá beneficiar.
Trechos principais da carta enviada ao Congresso
1.Legalização deve incluir DREAM Act e a lei AgJOBS de maneira não-segmentada, que sirva a todos os indocumentas residentes no país atualmente; que não contenha exclusões retroativas e que não deixe de fora pessoas que tenha orden de deportação pendente ou aqueles que tenham cometido fraude de documentos.
2.Reunificação de famílias e a análise dos processos acumulados nos últimos anos.
3.Treinamento de trabalhadores de baixa-renda nascidos nos EUA, de maneira que toda a força produtiva se benificie da reforma imigratória.
4. Separação clara entre autoridades federais e locais.
5.Qualquer programa de visto de trabalho deve prover proteção aos trabalhadores, garantir o direito de mudar de emprego e a oportunidade de ganhar a cidadania americana.
6.Fortalecer as leis trabalhistas, independente do status migratório, incluindo liberação de mais fundos para o Departamento de Trabalho, para garantir salários, até que seja garantida a precisão dos dados, o uso da verificação de Social Secutity OnLine. Outros meios de verificação devem ser proibidos, de maneira a impedir a discriminação e abuso.
7. Facilitar a inclusão através do aumento de recursos para Cursos de Inglês como Segunda Lingua (ESL), Naturalização e Serviços Legais; retorno dos valores pagos em taxas para solicitação de vistos e a simplificação do processo de naturalização.
8. Garantia dos direitos civis; análise dos processos pendentes de todos os imigrantes, garantindo sigílo judicial e administrativo.
9. Com a reforma migratória, diminuir a necessidade de detenções em massa, cadeias e leitos. Onde a detenção for necessária, manter os presos próximos às suas famílias e garantir representação legal; proteção contra detenção por tempo indeterminado e garantia de liberdade condicional. Codificar os padrões de detenções após os atentados de 11 de setembro; desenvolver penas alternativas
10. Mecanismos que contenham a escalada da militarização na fronteira; fim do alto número de mortes decorrentes de pessoas tentando cruzá-la; melhor treinamento dos agents patrulheiros; ações contra a violência dos contrabandistas de pessoas e a proteção do frágil eco-sistema da região.
11. Volta do número de refugiados com direito a entrar nos EUA aos níveis pré 11 de setembro;