A comunidade brasileira de Massachusetts é das maiores na América e tudo o que acontece lá acaba por refletir entre os brasileiros no resto do país.
As recentes reuniões e manifestações ocorridas no Estado serviram para mostrar e constatar o óbvio: a comunidade brasileira em Massachusetts é desunida, fragmentada e não tem uma liderança à altura.
Por mais que se tente, jamais o povo foi unido em torno de uma ou mais lideranças que se digladiam entre si o tempo todo. As experiências passadas mostram o quanto há de ego, soberba e arrogância com cada qual tentando levar o seu grupo ou associação em determinada direção, geralmente contrária à do outro.
Com isto, quem sofre e padece é o povo, que cada vez mais é iludido na esperança de que as coisas aconteçam em tempo oportuno. Tempo que se torna escasso à medida em que mais brasileiros tomam o passo de retornar ao Brasil, principalmente porque as coisas não estão correndo conforme o planejado.
É incontável a quantidade de pessoas que está totalmente sem documentos americanos, pois as alternativas utilizadas nos últimos anos – como documentos da Flórida, de Illinois, de Utah, entre outros Estados –, com o passar do tempo foram vencendo sem que se conseguisse renová-los.
O documento que muitos têm portado é o passaporte brasileiro, e, cada vez que precisa-se apresentá-lo, gera uma série de constrangimentos desnecessários. No plano estadual, o povo brasileiro - entre outras comunidades - foi levado a pensar que Deval Patrick, o atual governador, iria liberar a tão sonhada carteira de motorista, o que ele já disse que nunca prometeu a quem quer que seja. E não prometeu mesmo.
O que Deval Patrick afirmou em várias oportunidades é que é solidário aos problemas dos imigrantes, entre eles, a falta de documentos. Somente isto e nada mais. Logo, não adianta pressionar, pois na América as coisas não funcionam assim. Tudo aqui requer planejamento que pode ser de curto, médio ou longo prazo. O que passar disto é mera suposição.
O que precisamos entender, ainda que tardiamente, é que somente boa vontade não basta. Haja vista, que o presidente George W. Bush tenta há tempos aprovar (ou pelo menos faz de conta) uma lei que beneficie um número cada vez maior de imigrantes, permitindo que tenhamos documentos e a situação regularizada, mas esbarra primeiro no seu próprio partido, que tem algumas figuras que são contra qualquer benefício para os imigrantes, e depois na própria estrutura da política americana onde nada funciona ou é feito de afogadilho.
O Departamento de Estado da Justiça determinou que uma observadora estivesse interagindo com a população de brasileiros em Framingham, e a oportunidade foi única e inédita na história da imigração brasileira em Massachusetts. Só que a coisa mais difícil foi conseguir a união de todas as lideranças em torno do mesmo ideal. Por incrível que pareça há pseudo-líderes que manobram para que a iniciativa dê errado. É a tal história do quanto pior, melhor.
O que fazer então? Jamais conseguiremos qualquer coisa com meia dúzia de pessoas protestando ou gritando em portas que jamais se abrirão, e em ouvidos que nunca se dignarão a nos ouvir, mesmo que as iniciativas pareçam as mais corretas e sinceras. Em vez de expôr as dificuldades enfrentadas, o que fizeram? Pediram carteira de motorista e legalização, como se estas fossem as únicas necessidades da comunidade.
Perderam a grande chance de fazer a diferença diante de uma interlocutora privilegiada e à disposição da comunidade. Sem um consenso entre a liderança – que inexiste, optaram por pedidos que, embora necessários e importantes, poderiam ser feitos em outra ocasião. Não se sabe se haverá uma nova oportunidade como essa. Enquanto isto de fato não acontecer, continuaremos malhando em ferro frio, e mostrando a todos que somos, sim, uma comunidade sem liderança e profundamente desunida. Infelizmente!