Fonte: Agência BR NEWS Glênio Bongiolo
Quem é o imigrante brasileiro? Quantos deles moram nos Estados Unidos e em quais estados? Quais são suas expectativas? O que eles fazem com o dinheiro que ganham com seu trabalho? Como estão de sua saúde? Estas são apenas algumas das muitas questões que envolvem a comunidade brasileira que vive nos Estados Unidos, e são freqüentemente levantadas por estudiosos, políticos e membros de organizações sociais. As respostas, no entanto, são sempre estimativas, com dados baseados mais na opinião do que em fatos concretos.
Esta situação, no entanto, está mudando. Graças ao esforço de diversas iniciativas de pesquisadores que estão estudando vários aspectos da vida imigrante nos Estados Unidos. Álvaro Lima, da área de desenvolvimento urbano da cidade de Boston, é um dos pioneiros nesSes estudos. O capixaba foi responsável pelo primeiro levantamento demográfico de brasileiros, tanto no país, como na cidade de Boston.
Em uma nova pesquisa, Lima está fazendo uma análise sobre as remessas de dinheiro enviadas pelos brasileiros. Segundo ele, as empresas de envio, como Western Union, Brastransfer ou Vigo, lucram milhões de dólares com as remessas, mas investem muito pouco na comunidade.
“Quando um banco abre uma agência em um bairro, é obrigado por lei a reinvestir 20% dos lucros naquela região. Com estas empresas financeiras, isto não acontece.”, diz. O pesquisador também aponta que muitas vezes estas empresas desconhecem as necessidades e anseios da população, daí a importância de levantar este tipo de dado.
A pesquisa sobre envio foi realizada nacionalmente, com populações imigrantes de diversas partes do mundo. Os brasileiros, no entanto, haviam ficado de fora. “O que geralmente acontece é que as autoridades americanas acabam tratando os brasileiros com os mesmos padrões utilizados com outras nacionalidades. Mas a verdade é que nós temos características muito específicas e uma realidade distinta de outras populações. É isso que queremos demonstrar com a pesquisa.”, completa.
A qualidade de vida e de saúde dos imigrantes da região metropolitana de Boston é tema de outra pesquisa, que será realizada pelo Centro do Imigrante Brasileiro, em parceria com a Universidades Harvard e Umass. Nela serão levantadas as características sobre a vida e os objetivos dos brasileiros. Também será realizada uma verificação de peso, altura, pressão, além da coleta de algumas gotas de sangue e saliva. Com isso, os pesquisadores podem verificar também dados sobre a saúde e stress na população imigrante.
A saúde dos trabalhadores é o tema estudado pelo Projeto Parceria, que foi a campo em Massachusetts para colher dados e compreender melhor a comunidade brasileira, especialmente na área de saúde geral e no trabalho. O questionário entitulado “Pesquisa das Condições de Trabalho dos Trabalhadores Imigrantes Brasileiros” pretende avaliar com profundidade os problemas que os brasileiros enfrentam no trabalho e compreender melhor quem são os imigrantes.
Uma das dificuldades apontadas pelos pesquisadores é a desconfiança dos brasileiros em oferecerem os dados. “Muita gente acha que, porque está aqui sem documento, não deve dar muitas informações. Isto é um erro, afinal, é com base nestes dados que se podem lutar por mais direitos. Além disso, as pesquisas são sempre confidenciais, sem que nenhum dado como nome, telefone ou endereço sejam perguntados.”, explica Maurício Souza, um dos entrevistadores da pesquisa sobre remessa de dinheiro.